Tradicionais na região, corais têm futuro incerto

Liga de Corais de Estrela busca recursos através de incentivo, enquanto integrantes sentem falta de encontros.


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Foto: Júlio César Lenhard

A busca pela sobrevivência durante e após a pandemia. É o que acontece com os corais, já que os protocolos sanitários não permitem e fazem com que eventos presenciais não sejam realizados. Em Estrela, um dos municípios com maior número de grupos de corais na região, existe a Liga dos Corais. Maria Beatriz Plenz é tesoureira da entidade que reúne seis corais, e é regente de seis grupos.


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Ela que trabalha há 25 anos na função lamenta o momento que os grupos passam. “Penso que não vamos voltar exatamente ao normal, mas me entristece que muitos cantores tinham essa como sua única atividade, estavam ansiosos pelo próximo ensaio e quando tenho oportunidade de conversar com alguém, falam da falta que sentem de cantar”, explica.

Muitos dos corais que englobam a Liga são sociedades que realizam eventos, festas ou mesmo bailes para angariar fundos para sua manutenção. “Não sei como vai ser o futuro destes grupos, pois não podem ser realizados esses eventos que sempre ajudam, embora o gasto seja menor sem tantas atividades, sempre há gastos e a movimentação desses grupos fica indefinida para o futuro”, opina.

A regente conta que em algumas cerimônias de sepultamento, esses corais se encontram em menor número de integrantes, ou mesmo em missas que Beatriz realiza animação litúrgica com sua filha Bárbara. A musicista conta que encontra integrantes dos grupos e ouve os relatos de saudade. “Os sócios dos corais tem direito a presença do grupo quando falece alguém da sua família, e acaba sendo praticamente a única atividade, mas com restrições, ou mesmo como em alguns casos onde atos fúnebres nem aconteceram, aí sim sem a nossa presença”, afirma.

Ela lembra que há cerca de dois anos os corais de Estrela recebiam incentivo da prefeitura, o que não foi possível dessa vez, mas a busca é por recursos da Lei Aldir Blanc, uma lei de emergência para a área da cultura, onde Beatriz está buscando documentos, registros das atividades e assinaturas de duas pessoas por coral para que os grupo recebam alguma verba na nova lei, que surge na esfera federal, mas que agora ficou a cargo da secretaria de Cultura do Estado.

Texto: Júlio César Lenhard

 

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