Tribunal absolve líder da extrema direita francesa por divulgar fotos do Estado Islâmico

Marine Le Pen mostrou imagens de atrocidades cometidas pelo grupo islâmico depois que um político do país comparou o partido dela ao Estado Islâmico


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Marine Le Pen em 4 de maio de 2021 (Foto: Christophe Archambault / AFP)

A Justiça da França absolveu, nesta terça-feira (4), a líder da extrema direita francesa Marine Le Pen, acusada de ter publicado em uma rede social fotos de atrocidades cometidas pelo grupo Estado Islâmico (EI).

O tribunal de Nanterre, a oeste de Paris, reconheceu “um propósito informativo” na divulgação dessas imagens, que “faz parte de um processo de protesto político”.

A divulgação “contribui para o debate público”, desde que não “banalize” a violência, argumentou.

Le Pen, chefe do Reagrupamento Nacional (RN, ex-Frente Nacional, extrema direita), foi processada sob a acusação de fazer circular “mensagens violentas incitando o terrorismo ou a pornografia ou prejudicando gravemente a dignidade humana” e que podiam ser vistas por um menor.

A Promotoria havia solicitado uma multa de 5.000 euros (R$ 32.700).

Le Pen divulgou as imagens depois que um jornalista francês fez uma comparação entre o grupo Estado Islâmico e partido dela.

Uma das fotos mostrava o corpo do jornalista americano James Foley, decapitado pelo grupo extremista. Outra imagem mostrava um homem com uniforme laranja atropelado por um tanque, e a terceira, um piloto jordaniano queimado vivo em uma cela.

“Daesh é isso!”, escreveu Le Pen em uma legenda, usando a sigla em árabe para o Estado Islâmico.

Para o tribunal, a divulgação dessas imagens foi uma resposta “coerente” de Le Pen a “um polêmico ataque”.

O tribunal também decidiu que “não era proselitismo, pois as imagens vinham acompanhadas de comentários” que não “banalizavam” ou “apresentavam a violência sob uma luz favorável”.

“É uma grande vitória porque, neste caso, a liberdade de expressão estava em jogo e essa liberdade de expressão foi reconhecida como total para um político de primeira linha”, disse o advogado de Le Pen, Rodolphe Bosselut, à imprensa.

Fonte: G1

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