Um fatalidade que expõe uma fragilidade logística 

Uma alternativa é a construção de uma ponte para interligar os municípios de Lajeado e Estrela, que retiraria a circulação dos veículos locais do fluxo da rodovia


1
Foto: Reprodução

A BR-386 possui 525 km no Rio Grande do Sul, é conhecida como a rodovia da produção, mas também como a estrada da morte. Em nossa região temos 11 municípios lindeiros à BR e 50% do Estado circula nessa BR de alguma forma ou de outra, ou seja, todos os deslocamentos das regiões norte e nordeste passam por nossa região para chegar a região metropolitana do Rio Grande do Sul. No entanto, uma fatalidade ocorrida no último sábado, que levou a perda de uma vida, demonstra não somente uma fragilidade estrutural de uma ponte que foi construída a muitos anos, mas também uma fragilidade logística, a medida que dificulta em muito o trânsito de metade do Estado que passa pela BR em nossa região.


ouça o comentário

 


Já no início da semana os veículos leves voltaram a circular em condição parcial na rodovia e a previsão é de que nos próximos dias caminhões também circulem nesse trecho. Pista única e afunilamento dos 33 mil veículos que transitam impacta no tempo de deslocamento e, especificamente, para o transporte de cargas, além do tempo de deslocamentos, os custos destes, já que as rotas alternativas aumentam de sobremaneira os quilômetros a serem rodados pelos transportadores de cargas.

Em um primeiro momento, transtornos de tempo e, com o decorrer do tempo, avaliações dos impactos dos custos, caso se mantenha essa dificuldade de circulação das pessoas e transporte de bens. Essas avaliações dos impactos devem acontecer nas próximas semanas, com informações do que efetivamente deverá ocorrer na obra da ponte, na possível recuperação da estrutura ou até a possibilidade da construção de uma estrutura nova. De qualquer forma, as alternativas que ressurgem é a construção de uma ponte alternativa para interligar os municípios de Lajeado e Estrela e que, inclusive, retiraria a circulação dos veículos locais do fluxo da rodovia.

Esse é um projeto que precisa ser tratado e avaliado regionalmente. Atualmente existem algumas projeções e possibilidades, mas todas ainda superficialmente tratadas. Por fim, o que existe de concreto é sim a ampliação da ponte sobre o Rio Taquari e a ponte sobre o Arroio Boa Vista, local onde ocorreu o acidente, por parte da concessão da BR 386. Essa ampliação está dentro da construção de uma faixa adicional no lado norte da rodovia de 5,1km, entre Lajeado e Estrela, e que inclui as duas pontes e irá ocorrer entre os anos 4 e 5 da concessão da Rodovia BR 386.

Os próximos dias serão de adaptação e de cobrança por parte de todos líderes para que tudo se resolva da melhor maneira. Não há como prever tamanha fatalidade, mas esta demonstra mais uma fragilidade da logística, não somente regional, mas brasileira e que precisa ser planejada ao longo do tempo.

Cíntia Agostini, economista, doutora em desenvolvimento regional, professora universitária e coordenadora do Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari (Tecnovates).

1 comentário

  1. Ninguem mais capacitado (a) pra tratar do tema BR 386 que a Cintia. Parabéns a Rádio Independente por tê-la entre seus comentaristas. Espero que os demais apresentadores tenham ouvido esta entrevista pra que parem de desinformar os ouvintes já cansados de tantas opiniões sem fundamento ou qualquer conhecimento do assunto relacionado a concessão rodoviária.

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui