Uma crença que elaboramos na infância pode ser um entrave para a nossa evolução na vida adulta

Confira o comentário da psicóloga, psicanalista clínica e jornalista Dirce Becker Delwing.


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Foto: Pixabay

Outro dia estive na Associação Rural de Lajeado (Arla), em Lajeado, e fiquei maravilhada com algo que vi. Na verdade, iria comprar um pedaço de corda para pendurar um vaso na varanda da minha casa. Acontece que esse produto fica perto de onde estão as enxadas e demais ferramentas utilizadas para serviços no jardim ou na lavoura. Foi nessa hora que me impressionei. Olhei o preço da enxada, do ancinho e da pá e vi que poderia ter esses utensílios, que minha situação financeira suportaria a compra, e, mais: talvez nem fizesse tanta diferença no meu orçamento. Eu não ficaria pobre, eu não iria para o SPC, eu não comprometeria o orçamento da família. Fiquei quase incrédula diante do que estava vendo. Não pode ser que cheguei aos meus 53 anos de idade para concluir que sou capaz de ter esses objetos. Explico, a seguir, porque fiz tais considerações.


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Cresci numa pequena propriedade rural, em Rui Barbosa, Canudos do Vale. Desde criança, ouvia meus pais recomendando, com severidade, que deveríamos cuidar desses utensílios porque eram muito caros e, que, bem possível, se perdidos, não teríamos como repor. Eu chegava a ter calafrios se, ao anoitecer, não tinha visto a enxada no seu devido lugar e se a escuridão me impediria de seguir nas buscas. A minha preocupação era tamanha que, no meio da tarde, deixava de brincar para ir ao estábulo conferir se tudo estava por lá.

Agora você consegue imaginar minha faceirice ao me esbarrar com a possibilidade de ter meus próprios utensílios, ao mesmo tempo em que me deparo com uma interessante reflexão.  Muitas vezes, nos mais diversos contextos, aprisionados por uma crença limitante, nem tentamos agir de outra forma, não arriscamos avaliar o lado avesso das coisas, desconsiderando que esse pode, inclusive, ser o lado certo.

Quantas vezes, nessa vida, repetimos velhos hábitos mesmo quando esses nos causam desconfortos. E, assim, a gente não tenta o novo, não ousa, não experimenta. Lá pelas tantas, você não faz qualquer movimento no sentido de ter algo porque pressupõe que aquilo não é para você. E o mais sério de tudo isso é que, nem sempre, teremos a sorte de desmistificar o preço dos objetos que, até então, eram tidos como incompráveis.

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