Uma lição sobre lealdade: os últimos dias do ídolo Belchior em Santa Cruz do Sul 

Tive a honra de visitar as casas aonde Belchior morou. Conheci o belo quarto onde Bel dormia, a poltrona onde sentava-se para ler livros e a mesa onde apreciava seu bom vinho


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Foto: Reprodução

Na semana que passou, conheci uma pessoa muito especial. Conheci aquele que, por 4 anos, acolheu ninguém mais do que Belchior em Santa Cruz do Sul. Após ter assistido o ídolo da musica popular brasileira (MPB) em um show no teatro da Ospa, em 1984, o fã foi até a fila de autógrafos e trocou seu livro de poesias por um disco de Belchior. O ídolo convidou o fã para um papo sobre poesia durante o jantar, na capital gaúcha. Nascia ali a amizade que, décadas depois, traria o ícone da MPB para dentro de sua casa.

Tive a honra de visitar as casas aonde Belchior morou. Conheci o belo quarto onde Bel dormia, a poltrona onde sentava-se para ler livros e a mesa onde apreciava seu bom vinho, na bela residência de seu amigo, que aqui chamo carinhosamente de Bruxo. Me emocionei quando ouvi da boca do leal amigo, o Bruxo, a benção dada por ele logo que o carro fúnebre partiu, levando o corpo do ídolo: “Que a terra te seja leve já que pesaste tão pouco sobre ela”, passagem de um poema de Marcial, poeta romano (40-104 dC).

Que bela lição sobre lealdade eu aprendi. Gostaria de ter gravado as conversas entre o Bruxo e o mestre Jamil Albuquerque, que foi quem proporcionou tudo isso ao solicitar que Cleber, empresário de Santa Cruz, CEO da Contel, promovesse essa aproximação entre nós. O ídolo e o fã, uma lealdade que jamais será esquecida. Aprendi sobre poesia. Aprendi sobre crônicas. Aprendi sobre história e sobre amizade, mas, acima de tudo, sobre o valor da lealdade nas nossas relações.

Quatro anos de convívio leve, sem peso, apesar de todos os desafios vividos. O Bruxo sustentou Bel e a esposa por 4 anos, e foi leve. Deu casa, comida, bebida… e foi leve. Me perguntei se eu faria isso por alguém… Me perguntei se alguém faria isso por mim… Me perguntei se a minha companhia seria leve aos outros… Você já se perguntou isso?

Espero que essa lição nos inspire a sermos leves e leais para com os outros. Que possamos proteger aqueles que amamos sem querer nada em troca, nada além de uma boa amizade. Desejo que sejamos mais do que famosos, que sejamos importantes. Forte abraço e até a vitória, sempre.

Gustavo Bozetti (@gustavobozetti), diretor da Fundação Napoleon Hill e MasterMind RS

4 Comentários

  1. Que história bacana de lealdade e cumplicidade para com o melhor de todos. Belchior viverá para sempre na memória de seus fãs através de suas belas canções.

  2. Como é bom abrir uma reportagem e se sentir bem. Que história de amizade bonita. Gostaria de ter tido a chance de viver isso que você viveu, Bruxo, e o que você @gustavobozetti vivenciou e relatou. De um fã do Mestre Belchior desde o distante 1976 quando o assisti pela primeira vez no Imperator no Rio.

  3. Vindos do mestre Bel hioe só podia ser coisa boa mesmo. Lembro- me até hoje a textura de suas mãos qd nos cumprimentamos em um show dele,na minha cidade num restaurante comum,simples mas cheio de seu talento. Jamais esquecerei … admiração sempre,um belo exemplo,um poço de cultura,eterno para mim!

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