“Uma não saberia viver sem a outra”, diz produtora sobre morte de mãe e filha por Covid-19, em Estrela

Jaqueline Sulzbach Altenhofer é coordenadora do Grupo de Orgânicos em que Catia Alexandra Facioni e sua mãe Loreci Facioni participavam


0
Jaqueline ficava na tenda ao lado da mãe e filha na feira (Fotos: Gabriela Hautrive e Arquivo Pessoal / Montagem Rádio Independente)

A morte de mãe e filha, no interior de Estrela, localidade de Novo Paraíso, deixa saudade para produtores rurais, familiares e amigos de Catia Alexandra Facioni, de 34 anos, e sua mãe, Loreci Facioni, de 58. Ambas contraíram Covid-19 e não resistiram ao agravamento da doença. Catia faleceu na madrugada do dia 21 de fevereiro e Loreci na última segunda-feira (1º) sem saber sobre oque havia acontecido com a filha. Elas participavam do Grupo de Orgânicos do município.


ouça a reportagem

 


A coordenadora do grupo conta que Catia e Loreci estavam sempre juntas. “Elas eram muito ligadas, a Loreci não ia conseguir viver sem a Catia e a Catia também gostava muito da mãe”, relata. No dia a dia, Jaqueline tinha a parceria das amigas no grupo de orgânicos e também na Feira do Produtor Rural que acontece todos os sábados, em Estrela. “Elas eram muito participativas, muito queridas e amadas por todos, onde podiam ajudar, elas ajudavam, com certeza estão fazendo uma falta.”

Catia Alexandra Facioni e sua mãe, Loreci Facioni, na Feira do Produtor Rural, em Estrela (Foto: Facebook / Divulgação)

Catia também atuava como educadora na Emei Criança Feliz, do Bairro Campestre de Lajeado, e dividia o tempo entre a atuação como professora e o auxílio na produção de morangos da família. “Eram grandes produtoras, as pessoas gostavam muito delas na feira, estamos todos tristes.”

Mãe e filha deixaram um espaço vazio na tenda em que ocupavam para vender os produtos e também uma lacuna na vida daqueles que conheciam. Jaqueline conta que prefere lembrar dos bons momentos ao lado das amigas. “A gente brincava muito, estávamos uma do lado da outra, a Catia sempre com alguma brincadeira e a Loreci dando risada, vai fazer falta aquela risada”, relata Jaqueline.

A forte ligação entre mãe e filha fez com que o destino unisse elas em outro plano. Jaqueline lembra que quando Catia faleceu, Loreci chegou a ter uma piora no estado de saúde, mesmo não tendo nenhuma notícia sobre a filha por estar na UTI. “Naquele momento ela precisou ser entubada, parece aquela conexão de mãe e filha, de sentir, depois ela (Loreci) até teve uma melhora, mas acabou falecendo.”

Ambas possuíam comorbidades, como diabetes e hipertensão. Catia ficou internada no Hospital Estrela e faleceu em 21 de fevereiro. Uma semana depois, em 1º de março, faleceu sua mãe, Loreci, que estava internada desde o dia 14 de fevereiro.

Nas redes sociais e no portão da Emei Criança Feliz, onde Catia trabalhava, houve manifestações de profundo pesar com a perda da colega e amiga. A escola suspendeu as aulas após seis pessoas testarem positivo para Covid-19. Na página da Emei no Facebook a direção da escola fez uma postagem lamentando a perda. Já a Emater de Estrela informou para reportagem que Loreci e a filha eram muito queridas e fariam falta. Elas eram atendidas em várias ações de extensão rural, recebiam assistência em produção de morangos, hortaliças orgânicas, crédito rural e gestão da propriedade.

Coordenadora do Grupo de Orgânicos, Jaqueline Sulzbach Altenhofer (Foto: Gabriela Hautrive)

Mortes no Vale em decorrência da Covid-19

Conforme atualização do início da tarde desta quinta-feira (4), o Vale do Taquari somava 327 mortes em decorrência do novo coronavírus, sendo seis delas, ainda não reconhecidas pelo Estado.

O município com maior número de óbitos pela doença é Lajeado, com 81; seguido de Taquari (40), Estrela (29, dois não reconhecidos), Teutônia (28), Encantado (23), Arroio do Meio (13), Arvorezinha (12), Bom Retiro do Sul (10), Cruzeiro do Sul (10, dois não reconhecidos), Muçum (nove), Paverama (nove), Roca Sales (oito), Vespasiano Corrêa (cinco), Putinga (cinco), Fazenda Vilanova (quatro), Travesseiro (quatro), Sério (quatro), Tabaí (quatro), Santa Clara do Sul (quatro, um não reconhecido), Pouso Novo (três), Marques de Souza (três), Imigrante (três, um não reconhecido), Anta Gorda (dois), Canudos do Vale (dois), Progresso (dois), Relvado (dois), Capitão (dois), Ilópolis (dois), Forquetinha (um), Colinas (um), Nova Bréscia (um) e Poço das Antas (um).

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui