A rotina de uma família que reside no Bairro Conservas, em Lajeado, não é a mesma desde a quarta-feira (10). Foi quando os parentes de Oraci da Silva, falecido em 1998, descobriram que o corpo havia sido exumado no Cemitério Municipal do Florestal. A localização dos restos mortais preocupa a esposa e os seis filhos do homem, que solicitam providências da administração municipal.

Enquanto passava no entorno do cemitério, uma das filhas de Silva percebeu que túmulos estavam abertos. Quando se aproximou da lápide do pai, ela notou que o espaço também estava vazio. Conforme a esposa do falecido, Maria Iraci da Silva, a família não foi informada sobre a retirada do corpo. “Tudo estava quebrado. Não houve contato com a família. Pelo menos avisasse que iriam retirar”, lamenta.

Viúva questiona a remoção do corpo. Foto: Natalia Ribeiro

Na casa da aposentada, está o que sobrou do túmulo. A lápide de identificação e blocos de mármore foram entregues pelos funcionários do cemitério. Revoltada com a situação, Maria pede que a prefeitura disponibilize um novo espaço. “Quero uma gaveta para que os restos mortais possam ser colocados”, afirma.

Indignado com a remoção, o filho Maurício da Silva procurou a Secretaria Municipal do Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sthas), responsável pela exumação.

Família não encontrou os restos mortais do homem. Foto: Maurício da Silva.

Na tarde desta quinta-feira (11), o taxista, junto da mulher e de uma irmã, foi até o cemitério para remover os ossos. Segundo ele, a indicação partiu da pasta. “Encontramos um túmulo com 63 sacos, sendo que em alguns havia cadáveres. Procuramos, mas não encontramos o pai”, relata.

Parte das sacolas não teria identificação, conforme Silva. “Escreveram os nomes com canetinha, mas alguns se apagaram. Eles (secretaria) estão falando que está bem identificado, mas não é verdade. Não tem como identificar os restos mortais”, fala.

Entenda o caso

A secretaria começou a remover os corpos na primeira quinzena de abril, sendo que o trabalho foi encerrado no mesmo mês. A medida se deu pela falta de espaço, visto que hoje existem apenas cinco tumbas à disposição. Foi contratada a empresa Anjo Construções Ltda, com investimento de R$ 341 mil da prefeitura.

No total, foram realizadas 126 exumações a partir da posição dos túmulos. De acordo com o servidor Anoar Machado dos Santos, que coordena o trabalho, “as covas foram determinadas pela localização, já que no local ocorreram os primeiros sepultamentos do cemitério municipal, além de estar próximo das gavetas”, explica.

Responsável pela exumação, servidor da Sthas exibe mapa do cemitério. Foto: Natalia Ribeiro

O processo de remoção foi informado através da imprensa e dos departamentos oficiais. “A lista com os nomes dos mortos foi divulgada nos veículos de comunicação a partir de 10 de março. Um aviso também foi colocado nos postos de saúde da rede municipal”, conta o responsável. Pelo menos 20 túmulos não tinham identificação, o que impossibilitou o anúncio. No sistema da pasta, há registro por número do sepulcro, nome do falecido e foto do túmulo.

Depois de removidos, os restos mortais foram colocados numa embalagem lacrada e identificada, de acordo com Santos. Eles terão como destino gavetas ou o ossário municipal. “As pessoas não estão sendo jogadas em qualquer lugar”, garante. Apesar de os corpos já terem sido exumados, ainda está em andamento o processo de licitação para construção dos novos espaços. Atualmente o cemitério municipal tem 300 lugares, sendo 256 convencionais e 44 gavetas. NR


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