Univates articula, no Brasil, pesquisa inédita sobre suicídio 

Estudo é realizado no Vale do Taquari devido a alta taxa de sicídios da região, explica mestrando do PPMG da Univates, Rafael Rocha


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Rafael Rocha, mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas (PPMG) da Univates (Foto: Rodrigo Gallas)

A Univates é a responsável por articular, no Brasil, um estudo coordenado pelo Instituto Karolinska, da Suécia, e pelo Centro Sueco para Pesquisa de Suicídio e Prevenção de Doenças Mentais (Nasp, na sigla em inglês). O estudo, intitulado Programa covid-19 BIC, busca compreender, a partir de uma intervenção psicológica do tipo motivacional, realizada nas primeiras 24 horas após uma tentativa de suicídio, se os efeitos dessa intervenção são duradouros e se são melhores do que uma abordagem realizada de forma usual.

Além disso, também tem como objetivo educar os pacientes sobre o risco de suicídio após a alta hospitalar ou do pronto-socorro, fornecer suporte e ajudá-los a permanecer engajados no tratamento dos sintomas psicológicos relacionados ao comportamento suicida durante e após a pandemia de covid-19. A parte do estudo realizada pela Univates também busca entender se aspectos genéticos desempenham papel na predisposição das pessoas ao comportamento suicida.


O mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas (PPMG) da Univates,
Rafael Rocha informa que no Brasil há apenas um representante desta coleta de dados e é no Vale do Taquari. “Não é por acaso. A região de Lajeado tem o maior índice de suicídios do Brasil e da América Latina. Por isso, a importância de fazer esta pesquisa justamente aqui.”

Enquanto a média de suicídios do Brasil é de cinco, a cada 100 mil habitantes, no Vale do Taquari a média é de 12, a cada 100 mil habitantes. “O motivo disso é um grande mistério”, diz o mestrando. Uma das hipóteses sugerida por Rocha é de que na região há muitos agricultores que tem acesso a cordas e veneno, por exemplo, instrumentos utilizados para atentar contra a própria vida.

Segundo Rocha, a pesquisa tem uma forma de trabalho inovadora, trabalhando com dois braços. Um deles estuda as pessoas com histórico de tentativa de suicídio. No outro braço, a pesquisa coleta dados de pessoas sem histórico suicida.

O estudo envolve o acompanhamento de 250 pessoas com tentativa de suicídio e outras 500 pessoas no grupo controle – ou seja, que não realizaram tentativa de suicídio. Este grupo controle é chamado de populacional e as pessoas serão sorteadas para serem entrevistadas a partir do seu cartão SUS. Esta parte do estudo conta com o apoio da Prefeitura de Lajeado, por meio da Secretaria Municipal de Saúde.

A partir dessas características, será possível, nas etapas seguintes da pesquisa, estabelecer comparações entre componentes comportamentais e genéticos dessas duas populações localmente, na região, e também, internacionalmente, com populações de outras partes do mundo onde a pesquisa está sendo realizada.

O Programa covid -19 BIC acontece em quatro continentes diferentes e deverá ocorrer em diversos países diferentes. Na África: África do Sul. Nas Américas: Estados Unidos, Uruguai, México e Brasil. Na Europa: Romênia, Espanha, Rússia e Itália. Na Ásia: Índia, Cazaquistão, Vietnã e China. RG

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