Uso de água purificada ou fervida pode evitar casos de diarreica aguda, alerta secretário da Saúde de Lajeado

Recomendação é para lavagem de alimentos e consumo de água. Outros cuidados são para descarte de fraldas e higiene no ambiente familiar


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Lavagem de hortaliças é uma das recomendações para evitar a infecção (Foto: Istockphoto / Divulgação)

Na semana passada a Vigilância em Saúde do Estado emitiu um alerta sobre surtos de doença diarreica aguda. Em Lajeado, o Hospital Bruno Born (HBB), divulgou algumas mudanças nos protocolos de higienização na parte interna da casa de saúde por conta da doença. Conforme o secretário da Saúde do município, Dr. Cláudio Klein, o local chegou a registrar 60 atendimentos em único dia de pessoas com sintomas de vômito e diarreia, e os casos estão aumentando, pelo menos nas últimas duas semanas. Ainda sem origem confirmada, a presença do vírus pode ter ligação com a água, por isso beber e lavar alimentos com água fervida ou purificada é uma das recomendações para evitar a contaminação.


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Secretário da Saúde de Lajeado, Dr. Cláudio Klein (Foto: Gabriela Hautrive)

Segundo o secretário, trata-se de um problema de gastroenterite, com a doença de diarreica aguda, causada pelo norovírus, que não tem sintomas associados a questões respiratórias. “É um vírus característico de gastroenterite mesmo, não um vírus de sintomas gripal”, relata. Diante disso, a contaminação não acontece da mesma forma que os casos de coronavírus, por exemplo. “A presença do vírus vai estar nas secreções, seja dos vômitos ou da diarreia, então aquelas situações de convívio dentro de casa, se chama muito atenção para ambientes de creches, uso de fraldas”, explica.

Outra preocupação é a destinação dos dejetos que podem contaminar o solo, conforme o secretário. “Hortaliças é uma coisa que tem que se chamar atenção, o Estado mesmo recomenda a lavagem intensa com água, que seja purificada ou fervida”, pondera. Cláudio Klein salienta que o vírus, identificado já em várias cidades do Rio Grande do Sul, possui uma resistência quanto a quantidade de cloro indicada na cloração da água atual. “Ele pode resistir em caixas d’águas, em água tratada, por tanto a fervura da água pode ser uma indicação a mais para tentar eliminar a presença do vírus”.

Ainda não se tem números exatos de quantas pessoas foram ou estão infectadas pelo vírus que causa a diarreica aguda em Lajeado e por isso a Secretaria de Saúde faz um monitoramento mais detalhado. “Vamos pedir para vigilância epidemiológica e sanitária avaliarem esse vírus, e se for o caso, enviar para o Lacen, para principalmente entender onde ele está circulando”, relata. Esse trabalho consiste em um mapeamento por bairros de Lajeado, além de características de sintomas dos pacientes que procuram a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o HBB com diarreia e vômito.

Orientação

A principal orientação à população é o consumo de água somente de fontes seguras e tratadas, que tenham processo de desinfecção por cloro ou outra tecnologia. Também é importante realizar periodicamente a limpeza de caixas d’água. As amostras clínicas de pessoas com sintomas são encaminhadas para o Lacen (Laboratório Central do Estado) em Porto Alegre. Também já foram coletadas amostras de água em alguns desses municípios, que aguardam resultado da Fiocruz, no Rio de Janeiro.

Recomendações a população

– Consumir água de fontes seguras (potável) tratadas, que tenham processo de desinfecção por cloro ou outra tecnologia. Caso seja desconhecida a fonte, em situações de emergência, recomenda-se fervê-la antes do consumo e antes do preparo de alimentos por, no mínimo, 5 minutos.

– A higienização das superfícies, equipamentos e utensílios utilizados no preparo e consumo de alimentos deve ser realizada com água tratada e/ou fervida.

– O gelo para consumo ou conservação de alimentos deve ser oriundo de água potável e/ou fervida.

– Higienizar as mãos de forma adequada, lavando-as com água e sabão, principalmente após a utilização de banheiro, troca de fraldas, antes de preparar e manipular alimentos e antes das refeições.

– Afastar as pessoas doentes das atividades de manipulação de alimentos e reforçar a higiene pessoal mesmo após o desaparecimento dos sintomas.

– Realizar a limpeza da caixa d’água uma vez ao ano ou sempre que necessário.

Ambientes de creches e escolas demandam uma maior atenção, visto que são locais mais comuns para esses tipos de surtos.

Texto: Gabriela Hautrive
reportagem@independente.com.br

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