Uva, vinho, espumante e suco

Confira o comentário do engenheiro agrônomo Nilo Cortez.


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Foto: Divulgação / Ilustrativa

Na metade de 1975 trabalhei na CEDIC empresa ligada a Secretaria da Industria e Comércio e uma das funções era coordenar a fiscalização da uva e do vinho junto com a Secretaria da Agricultura. Eram contratados estagiários, principalmente da Agronomia e estes ficavam nas cantinas acompanhando a compra de uva.

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Entre tantas uma das finalidades era evitar conseguirem fazer mais vinho que a compra de uva. Ora para esconder notas ou até colocar água. Claro havia cantinas sérias, mas outras em fim sabe como acontece. E quando havia problemas de fraude o vinho era jogado fora e ou virava vinagre. A qualidade da época nem se compara com o que é produzido hoje.

O trabalho das instituições que se envolvem com a produção foram qualificando o produtor, a fabricação, transporte e a qualidade. As exigências dos consumidores (mercado) também ajudaram a purificar o setor. E os trabalhos de marketing garantiram o resto.

A EMBRAPA uva e vinho, EMATER, Escolas preparam bons tecnólogos, Faculdade profissionais para a área, Secretaria da Agricultura e Ministério da Agricultura, UVIBRA trouxeram não só um melhor controle, mas promoveram qualidade.

Foto: Divulgação / Ilustrativa

A uva base da produção avançou na produção, variedades, qualidade e o produtor investiu nos seus parreirais. As cantinas, vinícolas, Cooperativas e agroindústrias apostam cada vez mais neste segmento de mercado de produtos qualificados e de origem conhecida. Tanto que nos concursos de qualidade os vinhos, espumantes e sucos gaúchos se destacam ganhando prêmios nacionais e internacionais.

Foto: Divulgação / Ilustrativa

As condições climáticas são fundamentais para a qualidade da uva. Esta safra, mesmo com perdas de cerca 20% devido à seca, será a melhor safra dos últimos vinte anos. A graduação de açúcar ficou entre 16° B e 19° Babo, logo mais doce, sem acidez e mais cor. Tudo isto proporciona mais qualidade do vinho, espumante e sucos. O Grau glucométrico “Graus Babo” mede a quantidade de açúcar em peso existente em 100 g de mosto (caldo uva) feito no máximo até duas horas da chegada na vinícola.

Há outra forma de medir com o Brix.

A pandemia veio a estimular a venda de vinho, além do nosso inverno, o ficar em casa, aproximação da cozinha, comemorações familiares aumentou as compras. O aumento foi de 66,4% no primeiro semestre e também a venda on-line disparou. Por outro lado, os espumantes tiveram queda de 26,2% por ser uma bebida festiva. Com a suspenção de eventos, casamentos, aniversários, inaugurações, formaturas e outras se consumiu menos. Dados da Associação Brasileira de Sommelier do RS (ABS-RS).

De cada 10 garrafas compradas pelos brasileiros duas são nacionais e oito importadas. Temos vinhos, espumantes e sucos de qualidade e de reconhecids no mercado internacional. Questão de preço? Talvez. Mas é possível comprar bons vinhos nacionais do tamanho do bolso e do gosto de cada um. É só tentar.

Nesta última semana (13 a 16 outubro) em Bento Gonçalves foi realizado o 10° Brasil Wine Challenge (BWC 2020) – 10° Concurso Internacional de Vinhos. Foram apresentadas 774 amostras de vinhos de 16 países e avaliados por 57 especialistas degustadores e sendo 13 degustadoras. Destes premiados 216 com medalhas de ouro e 21 com medalhas Gran ouro. Países premiados: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bolívia, Chile, Espanha, França, Itália, Portugal e Uruguai. O Brasil fez bonito teve 11 vinhos dentro do grupo Gran ouro e 110 receberam medalha de ouro. A listagem de todos premiados, vinícolas e vinhos nacionais e internacionais está disponível no site da Associação Brasileira de Enologia.

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