Vaca não dá leite

Não teremos bons gestores ou representantes se não bem escolhermos, se não nos dedicarmos a avaliar e analisar.


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Carlos Augusto Fiorioli, promotor de Justiça, membro do Ministério Público em Lajeado

A expressão não é minha; colho do filósofo e escritor Mário Sérgio Cortella que, em suas palestras disse dizer aos seus filhos que quando completassem 12 anos contaria a eles o segredo da vida; chegado o tempo, revelou a máxima: “Vaca não dá leite”. Pois é. Muitos acreditam ou são criados a acreditarem que vaca dá leite. No meu caso, eu dizia em sala de aula, quando professor universitário, que havia muitos que acreditavam que os ovos eram produzidos em fábricas, como camisas ou carros. Da mesma forma que a vaca não dá leite, os ovos não são produzidos em fábricas, pois na vida, tanto para se chegar ao leite ou aos ovos, alguém ou alguns têm que trabalhar, preparar a vaca e a galinha para que se alcance o resultado esperado.

Assim é a vida. Sem esforço, sem gana, sem foco e persistência nos objetivos e sonhos, não haverá, figurativamente falando, nem leite e nem ovos. Parece estar claro que há uma geração, já crescida, crendo que são merecedores de tudo que há, pois se quero, eu peço, eu ganho! Cortella acentua, com propriedade e razão, que a felicidade resulta do esforço.

A ausência de esforço gera frustração. E, nisso, desejo fazer um pequeno paradigma com a política partidária, uma vez que teremos o transcorrer dessa semana e o próximo final de semana para decidirmos o futuro da governança e representação política de nossas cidades, ou seja, elegeremos prefeitos e vereadores em todo país e, no caso, nos preocupa sobremaneira o nosso querido Vale do Taquari.

Sem aprofundar o assunto, mas bastante para refletir, não teremos bons gestores ou representantes se não bem escolhermos, se não nos dedicarmos a avaliar, analisar, perceber e intuir quem seriam os melhores nomes que temos à disposição; portanto, somos responsáveis, e bastantes responsáveis pelas nossas escolhas, pois errando, pagaremos um alto preço na governança e na representação.

Por fim, se mesmo assim acharmos que a “vaca foi para o brejo”, nem tudo está perdido: temos que saber a velocidade da vaca e a distância do brejo; pois ainda é tempo de fazer e termos um futuro melhor, sempre melhor.

Carlos Augusto Fiorioli, promotor de Justiça, membro do Ministério Público em Lajeado

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