Vacina e euforia

Governadores e prefeitos, mais uma vez, terão que arregaçar as mangas e não só oferecerem as vacinas, mas também decidirem quais as regras para a vacinação.


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Carlos Augusto Fiorioli, promotor de Justiça, membro do Ministério Público em Lajeado (Foto: Natalia Ribeiro / Arquivo)

A palavra da hora é euforia, e esta nada mais é que um estado caracterizado por alegria, despreocupação, otimismo e bem estar físico, mas que não corresponde nem às condições de vida, nem ao estado físico objetivo. Na real, tudo pode estar muito mal e o estado de alguns, muitos, ou maioria, é de euforia. Obviamente, estou me referindo às propaladas vacinas já em aplicação em muitos países e que logo aqui também estarão sendo oferecidas. A notícia mais recente que colhi vem do grupo farmacêutico britânico AstraZeneca que afirma ter achado a fórmula vencedora da vacina contra Covid-19, que desenvolve em conjunto com a Universidade de Oxford.


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Dizem que o imunizante oferece proteção de 100% contra formas graves da Covid-19. E tem mais pontos positivos: a vacina custa US$ 4 por dose e também o imunizante pode ser conservado em congeladores convencionais e não a -70C como no caso das vacinas Pfizer-BioNTech, o que é um alento para imunização em massa. Porém, admitem que os testes continuarão e agora dependem da aprovação da agência reguladora do Reino Unido – a Anvisa de lá – e a possibilidade é que a utilização comece em 4 de janeiro próximo.

Ainda, por lá, reservaram 350 milhões de doses, com 40 milhões entregues até final de março próximo, enquanto 600 mil pessoas já receberam a primeira dose da Pfizer-BioNTech, em face da nova variante do vírus que teria capacidade de transmissão maior do que o da linhagem inicial.

A questão é, e o Brasil, o que faz até agora vemos que faz política partidária, pessoal, institucional, enfim, tudo que de ruim se pode fazer a população estar dia a dia mais agitada, insegura, e gerando estados de euforia de alguns e de pessimismo de tantos outros. O que penso que irá acontecer é que de fato os governadores e prefeitos, mais uma vez, terão que arregaçar as mangas e irem para campo e, não só oferecerem as vacinas, mas também decidirem quais as regras do jogo da vida a partir da vacinação.

Tenham certeza que, se a vacinação não for obrigatória – penso que não tem como ser frente aos princípios constitucionais -, àqueles que não se submeterem à imunização terão muitas restrições de liberdade de locomoção, tal como acesso a lugares públicos, determinados ambientes de natural aglomeração, como escolas, hospitais, universidades. E isso, como dito antes, vai “cair no colo” dos governadores e prefeitos.

Portanto, 2021 vem ai, e vem com tudo, sendo apenas um tempo que marcha de modo inexorável e não terá piedade de erros políticos e de gestão. Imunizar-se ou não, com certeza, vai depender de várias circunstâncias; quando me perguntam o que farei, respondo: Sim, eu vou! Feliz e abençoado 2021. Paz e bem!

Carlos Augusto Fiorioli, promotor de Justiça, membro do Ministério Público em Lajeado

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