Vale do Taquari acumula prejuízos de R$ 647 milhões em milho, silagem e soja devido à estiagem

São perdas de 1,170 milhão de toneladas nas três culturas, segundo levantamento da Emater


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Lavoura de milho perdida em Pouso Novo (Foto: Alício de Assunção)

O Vale do Taquari acumula prejuízos de chegam a R$ 647 milhões em milho, silagem e soja devido à estiagem do final de 2021 e começo deste ano. O levantamento foi feito pelo escritório regional da Emater, que calcula perdas de 1,170 milhão de toneladas nas três culturas mais afetadas. O engenheiro agrônomo e técnico regional da entidade, Alano Tonin, estima prejuízos de R$ 192,855 milhões em milho, R$ 359 milhões em milho silagem e R$ 95,131 milhões em soja.

Conforme ele, atualmente o cenário está melhor em função da regularização das chuvas (145 milímetros em janeiro em Lajeado, e 68 mm em fevereiro, comparados a 16,8 mm em dezembro). Tonin diz que a situação preocupante no final do ano se consolidou.

A falta de chuvas afetou severamente a produtividade. Houve baixas de 57% no milho, 53% no milho silagem e 40% na soja. A região ainda se saiu melhor que o restante no Estado na safra de soja. No RS, a perda nessa cultura chegou a 52%. Conforme Tonin, o desempenho do Vale se deve ao atraso da semeadura e área menor. O impacto não foi tão grande para aquele produtor que plantou fora do período mais indicado, e não foi atingido tão em cheio pelos efeitos da estiagem.

O técnico da Emater comenta que para o Vale do Taquari, em função da importância econômica da agricultura e da bacia leiteira, a perda de produtividade terá impacto negativo alto, principalmente com o baixo volume e qualidade da silagem. Segundo Tonin, representa menos grãos e menos energia, de modo que o produtor precisará suplementar o gado com ração. “Para o produtor de leite a perda vai se estender ao longo do ano”, afirma o agrônomo, “sem falar que pode não ter silagem para o ano todo”.

De acordo com ele, os prejuízos dessa estiagem equivalem-se ao registrado na safra de verão de 2004-05. Tonin destaca que o momento atual é para os produtores pensarem em planejar a cobertura de inverno, com aporte de material orgânico para o melhor manejo e preparação do solo.

Ele reconhece que, em função baixa produtividade e qualidade da safra, a margem que vai sobrar para os produtores será menor, com custo de produção alto. “Sem dúvidas vai refletir nos preços do supermercado”, pontua.

O agrônomo lamenta que cenários como este desestimulam a permanência no campo e prejudicam a sucessão rural. Por isso ele defende políticas públicas para reduzir o risco e proporcionar mais estabilidade no campo que envolvam tanques, cisternas para a reservação de água, bem como projetos de irrigação.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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