Vale do Taquari quer retorno das aulas presenciais com adultos e adolescentes

Definição partiu de reunião dos prefeitos na tarde desta quinta-feira (13). Sugestão será encaminhada ao Estado, que cogita início pela Educação Infantil.


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Prefeitos aceitam fazer o debate, desde que não envolva o retorno dos pequenos (Foto: Natalia Ribeiro)

Sem data definida para voltar, mas, quando isso acontecer, que as aulas presenciais sejam retomadas pelos estudantes adultos e adolescentes, do Ensino Superior e do Ensino Técnico. Esta foi a definição de dois terços dos prefeitos do Vale do Taquari, que estiveram reunidos em assembleia da Associação de Municípios do Vale do Taquari (Amvat), na tarde desta quinta-feira (13), no auditório do Prédio 11 da Univates, em Lajeado. No encontro também foi discutida a cogestão no Distanciamento Controlado.


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Dos 36 associados à entidade, 24 votaram. A sugestão do Vale do Taquari agora será remetida à Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs). A federação, que tem como presidente o prefeito de Taquari, Emanuel Hassen de Jesus (PT), reunirá os posicionamentos das 27 associações regionais do estado e irá remetê-las ao governo gaúcho. Isso porque, na última terça-feira (11), o Piratini deu início ao debate. A proposta foi de retorno pela Educação Infantil, em 31 de agosto.

Na região, há discordância com o que foi indicado pelo Estado, de retomada dos encontros presenciais pelos alunos mais novos. Durante a assembleia desta quinta-feira, a Associação dos Secretários Municipais de Educação do Vale do Taquari (Asmevat) apresentou uma contraproposta, através da sua presidente e secretária de Educação em Paverama, Rosicler Flach. O documento propunha a volta das aulas a contar de 8 de setembro, pelos adultos. Contudo, os prefeitos decidiram não sugerir as datas iniciais, mas manter o escalonamento na faixa etária dos alunos.

A presidente destacou que, mesmo com o plano, diversas regras sanitárias deverão ser seguidas. O turno integral, segundo ela, estaria impossibilitado diante da pandemia. Desde março as atividades presenciais estão suspensas. “Mesmo que retornemos, será um novo normal. Não retornaremos atendendo a criança das 6h às 18h. Essas crianças continuarão dependendo de um familiar ou de uma tia, seja contratada ou não”.

Presidente da Amvat, Celso Kaplan, e presidente da Asmevat, Rosicler Flach, na assembleia (Foto: Natalia Ribeiro)

Na nota apresentada aos prefeitos, a Asmevat desenhou a seguinte ordem de retorno: Ensino Superior e Técnico; 3º ano do Ensino Médio e Técnico e 9º ano do Ensino Fundamental; 1º e 2º ano do Ensino Médio e 8º ano do Ensino Fundamental; 1º ao 3º do Ensino Fundamental; e pré-escola da Educação Infantil, de 4 a 5 anos. De 0 a 3 anos a entidade pede que não voltem em 2020 ou até que exista uma vacina.

Uma decisão que levou em consideração o atual momento da pandemia. Assim definiu o presidente da Amvat e prefeito de Imigrante, Celso Kaplan (PP), a respeito da definição. “Nós não temos como colocar uma data de reinício uma vez que a situação não está nada tranquila no Rio Grande do Sul, pelo contrário, estamos com índices nada favoráveis nesta semana”. A referência é para a ocupação de leitos de UTI no estado, que apresentou aumento e, na noite desta quinta-feira, era de 77,8%.

Uma rodada de negociações com o governo do Estado é aguardada para a próxima semana. Enquanto isso, para o fim de agosto, é prevista nova avaliação do tema pelos associados da Amvat. Os prefeitos têm dúvidas. Alguns defendem o retorno das aulas presenciais em breve e outros pedem cautela. O presidente Kaplan pontua que “ninguém é contra o retorno, mas isso deve ser feito com segurança e preservando a vida. O pai e a mãe tem de concordar com o retorno e não nós querendo forçá-los”.

Os prefeitos

O poder público tem condições de oferecer mais subsídios para uma retomada tranquila das aulas presenciais. Este é o pensamento do prefeito de Fazenda Vilanova, José Cenci (PP). “As mães estão tendo que dar um jeito de deixar os filhos com alguém, e é exatamente esta a minha preocupação. Acho que nós temos mais força e podemos ajudar com mais qualidade”. Com a necessidade de trabalhar, Cenci diz que famílias buscam alternativas, que podem gerar aglomerações, de cuidado aos filhos.

Professor há 24 anos, o prefeito de Nova Bréscia, Marcos Martini (PDT), questionou a forma de pensamento. Na sua opinião, hoje não há condições para o restabelecimento dos encontros, muito menos a começar pelas crianças. Ele reforçou o que pensa a respeito do papel da escola na educação. “Qual o objetivo da escola? É acolher a criaça enquanto os pais vão trabalhar? O objetivo da escola é a transferência do saber e do conhecimento”, disse.

Entidades participaram do debate. Para o presidente da Associação Comercial e Industrial de Encantado (ACI-E), Rafael Fontana, voltar com as aulas é evitar a clandestinidade no cuidado dos pequenos.

Chamar técnicos para o debate foi a sugestão do prefeito de Bom Retiro do Sul, Edmilson Busatto (PL). “Os técnicos não são os professores? Nós, prefeitos, estamos querendo convencer de que tem de começar as aulas agora? Minha secretária disse que não seria momento para isso. Entendo quem está na fábrica, mas acho que se cedeu bastante para as empresas, temos que ajudá-las, mas será que elas não têm de ceder um pouquinho. Busatto pediu que o Ministério Público participe da discussão.

Junto do protocolo formatado pela Associação dos Secretários Municipais de Educação do Vale do Taquari serão encaminhadas perguntas, ao governo do Estado, acerca de temas como o transporte dos alunos e a obrigatoriedade ou não de frequentarem as escolas, caso as aulas presenciais sejam retomadas. Por mais que o Piratini tenha projetado 31 de agosto, não há definição da data de volta às escolas.

Texto: Natalia Ribeiro
jornalismo@independente.com.br

1 comentário

  1. Medo por causa de 1 % sendo que 90% desses foram idosos e com comorbidades. Chega. Acabou a palhaçada .

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