Vereador deixa plenário após projeto do comércio aos domingos não ser votado

Matéria que estava na ordem do dia, novamente não foi apreciada; desta vez devido o presidente da comissão de Justiça e Redação, Alex Schmitt (PP), pedir tempo para analisar a emenda que colocava o Sindicato na discussão da proposta. Sem votar a emenda, não é possível apreciar o projeto


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Lorival Silveira (PP) deixou o plenário em forma de protesto ao adiamento da votação do projeto (Foto: Caroline Silva)

O projeto de origem do Poder Executivo de Lajeado que permite a liberdade do comércio decidir se abre ou não aos domingos e feriados segue sem desfecho. Isso por que a matéria constava na ordem do dia da sessão da Câmara de Vereadores desta terça-feira (28), mas novamente não foi apreciada. Havia bastante expectativa de todos os lados para a votação que ocorreria nesta terça.


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A proposta recebeu uma emenda que permite o trabalho aos domingos e feriados, mas faz com que o Sindicomerciários seja incluído na discussão. Contudo, antes do projeto ser votado a emenda deveria ser apreciada, mas o presidente da comissão de Redação e Justiça, Alex Schmitt (PP), disse que não havia analisado o documento. “Há dúvidas sobre a constitucionalidade da emenda”, afirmou. A solicitação de Alex de estudar o documento na próxima semana foi colocada em votação.

Mas os proponentes da alteração, Lorival Silveira (PP), Sérgio Kniphoff (PT), Marquinhos Scheffer (MDB), Carlos Eduardo Ranzi (MDB) e Jones Vavá (MDB), votaram contra o pedido de Schmitt, que foi aceito pela maioria. Kniphoff e Silveira chegaram a sugerir que Alex analisasse a emenda em 30 minutos, mas o parlamentar disse que era pouco tempo.

Insatisfeitos, Lorival e Sérgio pediram para que a pauta fosse trancada já que o projeto não seria votado, mas o pedido não foi aceito pelo presidente Isidoro Fornari Neto (PP). Sendo assim, Lorival optou por deixar o plenário e criticou a articulação do governo. “Em protesto a artimanha que o governo está usando para não votar esse projeto, eu abandono o plenário”, comunicou. Minutos depois o vereador retornou à mesa.

No intervalo de 15 minutos, parlamentares contrários ao projeto se reuniram (Foto: Caroline Silva)
No intervalo de 15 minutos, parlamentares favoráveis ao projeto se reuniram (Foto: Caroline Silva)

O que acontece agora?

A emenda deve ser analisada na próxima segunda-feira (4) na reunião das comissões. Após receber o parecer pela inconstitucionalidade ou constitucionalidade, ela vai para apreciação do plenário. Teoricamente a emenda e o projeto poderiam ser votados na próxima sessão da terça-feira (5), mas o presidente Fornari deve estar em viagem. Sendo assim quem comanda os trabalhos da Câmara é o vice-presidente, Heitor Hoppe (PP), que em outras oportunidades já adiantou que não coloca este projeto em votação na ausência do titular.

Comércio em discussão

Alex continuou a defender sua posição favorável em relação a proposta do comércio aos domingos e feriados. Desta vez o parlamentar criticou a emenda da matéria. Conforme ele, o ‘domingo não’, é uma narrativa disfarçada do Sindicato para seus interesses. “O Sindicato comemorou o acordo fechado com a Havan, não por que garantiu o direito dos comerciários de ficar com suas famílias aos domingos, mas por que garantiu a renda da contribuição dos cofres sindicais, os futuros profissionais da Havan não foram consultados pelo Sindicato sobre sua concordância de pagar a taxa sindical. A questão é, pagando a taxa sindical, o domingo pode”, declarou.

Alex Schmitt (PP) (Foto: Caroline Silva)

Mas Kniphoff divergiu de Alex. O petista disse que o progressista estava mentindo. “A declaração do vereador Alex é injusta e mentirosa quando ele coloca que houve uma obrigatoriedade de filiação ao Sindicato dos funcionários da Havan. Eu sugiro que ele converse com o Sindilojas e se informe a respeito do acordo. Essa acusação é mentirosa e é preciso que as pessoas busquem a verdade”, rebateu.

Sérgio Kniphoff (PT) (Foto: Caroline SIlva)

Agressão a assessor parlamentar

A agressão ao assessor do vereador Ranzi, Marcos Ruschel, foi lamentada no plenário. Ruschel teria sido agredido com dois socos por um dos proprietários de uma empresa terceirizada da prefeitura, ao gravar um vídeo na manhã desta segunda-feira (28) em uma obra às margens do Rio Taquari. A gravação que foi transmitida por live no facebook de Ranzi, tinha o objetivo de fiscalizar possíveis irregularidades como cargas de caminhão incompletas.

Carlos Ranzi (MDB) (Foto: Caroline SIlva)

Ranzi exibiu trechos do vídeo no plenário e explanou sua indignação. “As pessoas que me relataram que tinha problema estavam certas, tem problema. Eu não sei se problema está nas cargas incompletas ou no contrato com a prefeitura”, provocou. O parlamentar também pediu uma posição do presidente Fornari a respeito do caso, mas ele não se manifestou.

Eder Spohr (MDB) falou que no período das cheias seu gabinete recebeu denúncias sobre a mesma empresa. “Haviam feito essa denúncia na época da enchente, que essa mesma empresa estava trafegando com 10% da carga. Eu não sei onde anda a fiscalização. Não se pode deixar isso assim. Se o dono da empresa ‘senta a mão no cara’ é sinal que tem coisa errada”, refletiu.

O prefeito Marcelo Caumo (PP) enviou uma nota sobre o fato, que foi lida pelo líder de governo, Mozart Lopes (PP). Trechos do texto dizem que o governo repudia todo tipo de agressão, mas que não há irregularidades com a obra. “Reprovamos qualquer ato de agressão ou ameaça. Qualquer postura do tipo deve ser investigada ou punida. O governo ainda não tem mais informações acerca do fato, mas buscará. Com relação a execução das obras, nos colocamos à disposição para as informações necessárias. As cargas de pedras não tem custo ao município”, diz parte da nota.

Texto: Caroline Silva

jornalismo@independente.com.br

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