Vereadores aprovam orçamento de R$ 366 milhões para Lajeado em 2021

Em relação a 2020, queda foi de 6,6%


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Sessão desta terça aprovou orçamento do município para 2021 (Foto: Caroline Silva)

Na sessão ordinária desta terça-feira (24) da Câmara de vereadores, os parlamentares aprovaram o orçamento para Lajeado em 2021. Conforme a proposta da prefeitura, a receita estimada para o próximo exercício é de R$ 366.265.400, sendo a maior fatia do montante, R$ 347.309.390, projetada em receitas correntes, como impostos, taxas, contribuições de melhoria, receitas patrimonial, agropecuária, de serviços e transferências. Para 2020, a receita foi de R$ 392.148.685, o que representa uma queda de 6,6% para o próximo ano.


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O vereador Lorival Silveira (PP) apresentou duas emendas ao orçamento do município, que foram aprovadas por unanimidade. A primeira é no valor de R$ 500 mil que são oriundos das Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), para a Secretaria do Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sthas). A verba será destinada para construção de novas casas para moradores do loteamento 17, na comunidade quilombola, no Bairro Morro 25. A segunda é de R$ 150 mil retirados da Secretaria Municipal da Fazenda, e destinados também para a Sthas. Este destina-se a regularização de loteamentos não legalizados.

Sessão desta terça aprovou orçamento do município para 2021 (Foto: Caroline Silva)
Vereador Ildo Salvi (PSDB) (Foto: Caroline Silva)

As duas emendas também foram aprovadas por todos os vereadores. No entanto, Waldir Blau (MDB) disse que concorda com as verbas, mas que o executivo que decidirá se irá fazer uso destes valores para as respectivas demandas. “As emendas são boas, mas aplica se o prefeito quiser. Não tem força de lei. Volto a dizer que quem tem o poder da caneta é o executivo.” Lorival rebateu e disse que caberá ao secretário das pastas decidir. “Mas penso que o secretário da pasta pode reivindicar e garantir que terá dinheiro lá.”

Ildo Salvi (PSDB) se mostrou contra e disse que é muito custeio. “O senhor foi secretário da Sthas, o senhor poderia ter feito e não fez, e num ano de pandemia não aceita passar R$ 1.500.000 para a saúde, mas vamos puxar da Sema e da Fazenda uma verba de custeio.”

Carlos Ranzi (MDB) justifica porque não apresentou emendas ao orçamento do município. Ele diz que apesar de acreditar muito que um dos maiores investimentos deva ser a pavimentação, não quis apresentar emendas. “A gente faz emendas, mas não sabe se isso vai acontecer. Só vai se concretizar se o prefeito quiser”, afirma.

Seguindo na linha de Ranzi, Sérgio Kniphoff (PT) também argumentou o motivo de não ter apresentado nenhuma emenda. “Nunca apresentei emenda para o orçamento do município porque essas emendas são de responsabilidade do executivo de acatar ou não, é uma projeção de gastos, não tem como saber se vai se confirmar ou não. Vivemos o ano mais extraordinário de todos, e com certeza em 2021 teremos uma crise econômica, e provavelmente muito deste orçamento não irá se cumprir”, avalia.

Covid-19

Salvi aproveitou seu espaço na tribuna para falar sobre o coronavírus em Lajeado. Ele diz que a pandemia ainda não passou e que a comunidade deve se unir. “Nós não podemos entrar em guerra com a juventude que quer ouvir música, se divertir. Que coloque fita para dividir e distanciar as pessoas nos espaços públicos. A juventude não é nossa inimiga”. Ele complementou dizendo que irá conversar com o secretário de Segurança Pública de Lajeado, Paulo Locatelli.

Quem também voltou a falar sobre a doença foi Kniphoff. Conforme ele, não deveria ter tido eleições devido ao grande número de novos casos do vírus na região. “Tenho sempre falado de Covid e não posso deixar de falar. Temos um vereador, um assessor em casa com sintomas, a primeira-dama com coronavírus. É irresponsabilidade das pessoas que acham que só precisam pensar em si mesmas. Estamos em uma situação que, se eu me proteger, eu estou protegendo o meu pai e minha mãe, o vô e a vó de alguém. Não podemos achar que tudo voltou a normal, porque não voltou”, adverte.

Saúde

Na oportunidade, Salvi pediu para protocolar uma emenda que não estava na ordem do dia, de R$ 1.500.000 destinados a Secretaria Municipal da Saúde. “Peço sensibilidade do presidente. É estranho que não esteja em nosso expediente, mas temos uma emenda com 12 assinaturas, e peço para os demais colegas assinarem, Este valor seria retirado das obras previstas para 2021, já que ano que vem não é ano de obras, e sim de cuidar a saúde.” Conforme o parlamentar, a verba seria para consultas, exames e cirurgias eletivas.

Lorival argumentou que o prazo para protocolar emendas era até a sexta-feira (20) e não aceitou o pedido. “ O prazo acordado com todos os senhores vereadores foi até sexta-feira. A ata foi feita, lida, e não foi pedido nenhuma alteração e assim será feito”, disse.

Blau disse que não iria se manifestar, mas comentou sobre o pedido de emenda de Salvi. “A ideia de designar R$ 1.500.000 para as cirurgias eletivas é ótima, mas não adianta porque não será feito. Em 2017, quando fui presidente desta casa, levei no gabinete do prefeito uma sobra de mais de R$ 2.000.000 , sendo que R$1.000.000 só para cirurgias eletivas. Não adianta, a caneta é do prefeito e do secretário da saúde, Cláudio Klein, que na minha opinião foi o pior desta administração”, afirmou.

Waldir Blau (MDB) (Foto: Caroline Silva)

Fabiano Bergmann, o Medonho, (PP), pediu mais agilidade na saúde. “Quando estamos com a saúde boa a gente agradece, e quando a saúde não tá boa a gente vem aqui e reclama, mesmo sendo do governo. Queria pedir agilidade nas consultas e também nos procedimentos nos postos de saúde dos Bairros Olarias e Conventos”, diz.

Fabiano Bergmann (PP), o Medonho (Foto: Caroline Silva)

Quem também comentou sobre cirurgias eletivas foi Kniphoff. Ele disse que ficou comovido com a fala de Blau sobre a fila de espera para procedimentos cirúrgicos. “Esse governo reeleito, merecido ou não, é o governo que se caracterizou por dispensas de licitações e por filas. Filas para creches, cirurgias eletivas, cestas básicas para chegar as famílias. É inadmissível a dor e sofrimento dessas pessoas que estão em uma fila de cirurgias eletivas”, ressalta.

Mariela Portz (PSDB), mesmo não usando a tribuna, interveio pedindo para que a emenda de Salvi fosse protocolada na sessão. Neste caso, Lorival solicitou a decisão do assessor jurídico da Câmara, Gustavo Heinen, e disse que acordo é acordo. “Quando a gente acorda algo entre os vereadores, feito em ata, a gente respeita, mas gostaria que o jurídico se manifestasse”, fala.

Heinen se pronunciou e disse que a decisão era do presidente. “A emenda vai contra barreira legal e nesse sentido compete a presidência da casa”, decidiu.

Assessor jurídico da Câmara, Gustavo Heinen (Foto: Caroline Silva)

Texto: Caroline Silva
jornalismo@independente.com.br

2 Comentários

  1. Um belo orçamento! 10 %??? Quem será ou serão os beneficiários..?! Será que os nossos bisnetos irão presençiar uma política sem falcatruas…? Espero que sim.

  2. Infelizmente, os mesmos lobos, continuarão a cuidar do galinheiro.. Lajeado continuará a mesma farra.. Aproveitem

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