Vereadores de Lajeado demonstram preocupação com avanço da Covid-19

Parlamentares solicitam linha de crédito para transportadores escolares.


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Vereador Fabiano Bergmann (PP) relatou pedido de empresários para a reabertura de casas noturnas (Foto: Natalia Ribeiro)

Quatro meses depois de Lajeado e o Vale do Taquari terem o primeiro caso positivo de Covid-19, o cenário da doença segue preocupando. Nos últimos dias a apreensão da comunidade foi aumentada, já que o número de pacientes ativos teve incremento na região. Os vereadores de Lajeado demonstraram apreensão com o quadro na sessão ordinária desta terça-feira (28). Alguns pediram linhas de crédito para os autônomos.

Assim como a doença, o impedimento ao trabalho de alguns setores deixa os vereadores em situação de alerta. Eles relatam serem procurados com frequência por empresários que não podem atuar, já que o seu ramo foi paralisado por ter alto risco para a disseminação da Covid-19. É o caso dos transportadores escolares, que, no último domingo (26), quando celebrado o Dia do Motorista, fizeram manifestação.

São cerca de 30 topiques em Lajeado, que não circulam desde a suspensão das aulas, em março. Sensibilizado, o vereador Paulo Tori (MDB) apresentou um vídeo produzido pela categoria, com imagens da manifestação do domingo. Na carta aberta, como chamaram os trabalhadores, a solicitação é de ajuda financeira. O pedido foi reforçado por Tori, que apresentou requerimento para a elaboração de uma linha de crédito pela Prefeitura de Lajeado. “Eles não estão pedindo esmola. Querem sobreviver. Está mais do que na hora do prefeito se mobilizar”, disse após o vídeo.

Integrante da base governista na Câmara de Lajeado, o vereador Nilson do Arte (PP) relatou exemplo de Erechim, no Norte do estado, que, segundo ele, abriu linha de crédito aos empreendedores que tiveram os negócios prejudicados pela pandemia. Ele pediu “que a Prefeitura de Lajeado possa criar esse setor de crédito. Que analise e mande projeto para esta casa, que encaminhe dinheiro para as pessoas que estão passando por dificuldades”. Em Erechim o empréstimo seria de até R$ 30 mil, com pagamento em 60 meses e juro de 0,95% a 1,45% ao ano.

Por outro lado, aglomerações e o descumprimento de distanciamento social foram relatados pelos parlamentares, que se disseram preocupados. Lajeado tem aumentado o número de testes positivos. Na segunda-feira (27) a Prefeitura informou 61 novos casos, confirmados entre 24 e 28 de julho. Já nesta terça-feira foram anunciados mais 55, chegando ao total de 2.043 infecções. A maior parte é de recuperados: são 1.918 (93,8%). Cem pessoas estão em tratamento (4,9%) e 25 que faleceram (1,2%). Até o dia 15 de julho eram 20 pessoas com o vírus, ou seja, aumento de 400%.

Levantamento do governo do Rio Grande do Sul, divulgado na segunda-feira, mostra que a região de Lajeado teve o pior desempenho da semana no distanciamento social. “Na média da semana, as principais regiões com baixo nível de isolamento são  Lajeado (36,9%), Santa Rosa (37,4%), Ijuí (37,6%) e Caxias do Sul (37,8%)”. Neca Dalmoro (MDB) acredita que as orientações devam ser intensificadas para evitar o fluxo de pessoas. “Já foi falado tantas vezes o que tem de ser feito que até se torna chato para quem já entendeu. Porém alguns ainda ainda não entenderam. Do que a comunidade está precisando?”, questionou ela.

Em meados de abril o município teve surtos em frigoríficos, mas que agora estão sob controle. As indústrias chegaram a fechar as portas por cerca de 15 dias. O médico e vereador Sérgio Kniphoff (PT) destacou que a pandemia só será vencida com a descoberta de uma vacina, o que ainda não ocorreu. “As pessoas precisam continuar se cuidando. Esse vírus não foi embora ainda e não vai. Iremos conviver com ele até o fim do ano, pelo menos”.

Reabertura de casas de festas

Mesmo compreendendo o momento de dificuldades e pedindo que a comunidade não faça aglomerações, o vereador Fabiano Bergmann, o ‘Medonho’ (PP), apresentou a solicitação de um grupo de promotores de eventos para a retomada das atividades, suspensas desde março. “Está indo para o quarto mês, assim como os topiqueiros. No caso deles têm o aluguel e funcionários desempregados”, relatou o progressista.

O protocolo tem regras como uso obrigatório de máscara, totem de álcool gel, tapete de higienização e entrada de clientes desde que com nome na lista, visando o controle do número de pessoas. Bergmann acredita que o assunto possa ser colocado em pauta pela administração e, dependendo da avaliação do governo, obter liberação.

“Acho que o prefeito, talvez, vai ter bom senso de abrir conforme as orientações. Talvez com o funcionamento das casas de festa as topiques possam voltar. Teremos de passar por esse desafio. Deixo esse pedido especial. Quem sabe o prefeito possa incluir no próximo decreto”. Para o colega Eder Spohr (MDB), o pedido soou incoerente. “Fabiano critica a aglomeração de pessoas tomando chimarrão no parque e ao mesmo tempo pede que se liberem as casas de festas”, argumentou.

Na avaliação de Carlos Eduardo Ranzi (MDB), os transportadores escolares poderiam selar convênio temporário com a prefeitura e ainda ajudar na resolução do que ele vê como um problema: o elevado número de passageiros nas linhas de ônibus que circulam no município. “Toda semana falamos que tem muita gente dentro dos ônibus, então poderia colocar essas pessoas dentro das vans. Se o prefeito não quer fazer por decreto, que mande o projeto para cá”, argumentou.

Sessão suspensa por discussão

Blau (porta) deixou o plenário quando o encontro foi suspenso (Foto: Natalia Ribeiro)

Uma discussão acalorada entre parlamentares de siglas diferentes levou o presidente da Câmara de Vereadores de Lajeado, Lorival Silveira (PP), a suspender o encontro ordinário por 15 minutos. A sessão transcorria há cerca de uma hora quando o bate-boca começou. Primeiro Waldir Blau (MBD), ao fazer uso do tempo regimental, pediu aos colegas de partido que façam mobilização junto dos seus deputados para que votem contra o pacote de reforma tributária do governo do Rio Grande do Sul. Para ele, o aumento previsto no ICMS é descabido.

Próximo a fazer uso da fala, Ernani Teixeira (PP) disse que o mesmo engajamento deveria ter sido adotado no governo anterior, de José Ivo Sartori – que é filiado ao MDB, mesmo partido de Blau. “É uma pena que essa bancada não esteve aí quando o gringo e os deputados aprovaram o pagamento parcelado dos professores”, disse.

Mesmo depois da suspensão eles continuaram discutindo por dois minutos. Com o retorno dos trabalhos ambos pediram desculpas e o presidente ponderou que “não vou tolerar discussões na casa. O que vale é a troca de ideias”.

Projetos

Cinco projetos de lei foram aprovados com unanimidade no encontro. Um deles entrou na pauta por meio de acordo entre as bancadas. Ele prevê a contratação temporária de agente comunitário de saúde para auxliar na prevenção da Covid-19 nos residenciais Novo Tempo I e II, nos bairros Jardim do Cedro e Santo Antônio. Também receberam aval da casa as seguintes matérias:

– Alteração em artigo da lei que estabelece diretrizes sobre o parcelamento da Taxa de Licenciamento Ambiental, facilitando o acesso do público ao procedimento;

– Concessão de direito real de uso a imóvel da prefeitura em troca de propriedade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), proporcionando a possibilidade de alargamento da Avenida Senador Alberto Pasqualini, no Bairro São Cristóvão;

– Abertura de crédito de R$ 995,90 para atender a despesas de diárias de servidores da atenção básica que necessitam acompanhar a remoção de pacientes a estabelecimentos de saúde localizados em outros municípios;

– Possibilidade de matrícula de alunos na rede municipal via internet, este com autoria dos vereadores Carlos Ranzi e Neca Dalmoro. Os demais foram encaminhados pelo Executivo.

Com teste positivo para a Covid-19, a vereadora Mariela Portz (PSDB) não participou da sessão. Ela faz quarentena em casa. A tucana foi substituída pelo suplente e colega de partido Nestor Dessoy, o ‘Nestor da Ambulância’. As sessões seguem normas de distanciamento entre os parlamentares e os servidores.

A imprensa só pode acompanhar as discussões à distânicia. Metade dos vereadores ocupa os assentos oficiais e os demais ficam nos espaços que antes eram reservados à plateia. O público em geral está impedido de acessar o plenário durante a pandemia.

A Câmara de Lajeado volta a se reunir na próxima terça-feira (4), com previsão de votar o Plano Diretor, que tramita desde abril de 2019. Antes disso, na segunda-feira (3), está programado encontro entre os parlamentares e o prefeito Marcelo Caumo (PP) acerca do montante de R$ 1,6 milhão aprovado pela casa, na sessão de 21 de julho, para auxiliar nas demandas criadas pela cheia histórica do Rio Taquari, ocorrida no começo de julho. A reunião deve ser fechada e ocorrer no plenário. Caumo tem suspeita da Covid-19 e aguarda resultado de exame.

Texto: Natalia Ribeiro
jornalismo@independente.com.br

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