Vereadores pedem agilidade da Corsan para problema de falta de água em Lajeado

Projeto que permite 150 horas/máquina de serviços para construção de pavilhão gerou polêmica entre parlamentares


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Penúltima sessão do ano foi realizada de forma virtual (Foto: reprodução/facebook)

A falta de água registrada durante esta semana em alguns bairros de Lajeado ganhou destaque pelos vereadores na sessão virtual desta terça-feira (22). Carlos Eduardo Ranzi (MDB) disse que a situação não é mais novidade no município. “A prefeitura tem feito algum tipo de serviço, mas a Corsan falha terrivelmente. Tem falta de água todos os anos em alguns bairros. Assim como tem Páscoa, Natal, as pessoas sabem e esperam que vai faltar água em um determinado período do ano”, comenta.


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Nilson do Arte (PP) deu continuidade ao assunto da falta de abastecimento de água e disse que nos bairros Santo Antônio, Jardim do Cedro e Floresta tem faltado água seguidamente. “A Corsan fez um poço artesiano, e faz 30 dias que está pronto, mas quase todo dia falta água, ou de dia ou a noite. Pedi para o gerente da Corsan agilizar porque a população está sofrendo nesse calor. As pessoas chegam do trabalho e não podem tomar banho”, ressalta.

Já Mariela Portz (PSDB) lembrou de dois anos atrás quando a Corsan de Lajeado recebeu um caminhão valetadeira, para obras e manutenções nos sistemas de água e esgoto. Conforme ela, o problema está longe de ser solucionado. “Vários colegas e inclusive eu falamos várias vezes sobre a Corsan. É um absurdo o que acontece aqui. Há dois anos trouxeram um caminhão novo e disseram que seria uma solução para a comunidade. Eles vêm, dizem uma coisa e depois não é comprido. Essa gerencia da Corsan sempre recebeu criticas e nada mudou. Não estou vendo solução aparentemente”, diz.

A mesma situação foi comentada por Marquinhos Schefer (MDB). Segundo o vereador, deve haver uma posição do governo do Estado. “Diversas vezes notificamos a Corsan pela falta de água. Temos que cobrar do Estado. Não adianta vir e enrolar. Já faz dois anos e até agora só estão levando o dinheiro da população. Temos que nos unir e conversar de perto. Do jeito que está não dá”, ressalta.

Fabiano Bergmann, o Medonho (PP), lembrou de quando era coordenador do setor de água da secretaria de Obras e Serviços Públicos. “Quando eu estava a frente do abastecimento de água levei ‘pau’ todos os dias e semanas, eu fui na Câmara e disse que queria ver quem ia cobrar da Corsan quando acontecesse nestes bairros. Eles tiveram tempo para fazer a manutenção e pensar em algo preventivo para este verão. Isso é desumano. Temos que chamar uma audiência pública”, comenta.

Já Neca Dalmoro (MDB) sugeriu que o prefeito Marcelo Caumo, tome uma providência. “Nós não temos resultados. Está mais do que na hora do prefeito interceder junto ao Estado para que isso seja resolvido. O verão está apenas começando. O prefeito precisa tomar uma posição e se juntar ao legislativo”, disse.

Para o presidente da Câmara, Lorival Silveira (PP), a falta de água é reflexo de uma desigualdade social. “Quanto tempo eu e os demais vereadores falamos da falta de água nos bairros mais necessitados? A gente fala, se indigna e nada é feito. Se acontecesse em um bairro de classe média tenho certeza que seria resolvido e isso que me indigna. Temos como fazer chegar água a essas pessoas. Nós vereadores temos que nos empenhar mais”, destaca.

BR-386

Quem voltou a falar da duplicação da BR-386 em Lajeado foi Sérgio Rambo (PT). Ele reclamou da falta de resposta e informações para o legislativo e comunidade. “Houve uma reunião com o prefeito e engenheiros, mas fomos impedidos de participar. A informação deveria vir para a sociedade. É complicado, não respondem para o legislativo, como vão responder para a sociedade? Se der um erro será 60 anos para consertar. Nunca na história de Lajeado se lutou tanto para uma duplicação, mas nunca a sociedade esteve tão apreensiva”, ressalta.

Eder Spohr (MDB) também se manifestou a respeito da duplicação. Conforme ele, deveria haver uma cobrança maior por parte dos parlamentares. “Todos os vereadores deveriam se envolver nisso e cobrar do nosso executivo, porque depois que essa duplicação estiver pronta, só depois de 60 anos para pedirmos algo novamente. Sabemos que alguns viadutos estão sendo feitos e não será o melhor para a população. Não podemos aceitar, temos que planejar bem para que favoreça os moradores de Lajeado”, disse.

Medonho, que participou da reunião com o prefeito, coordenador de projetos da prefeitura, Isidoro Fornari, e engenheiros responsáveis, diz que também se preocupa com a duplicação. “Tive a honra de ser convidado para participar da reunião com os engenheiros responsáveis. Os caras são sem vergonha e não querem ouvir a população. Eles não vivem aqui. Vamos sofrer por 40, 60 anos. Essa discussão vai se estender no ano que vem”, conta.

Projetos

Dos sete projetos em votação na sessão desta terça-feira, seis foram aprovados, sendo que um foi pedido vistas pelo vereador Waldir Blau (MDB). Um dos projetos aprovados, mas que gerou polêmica entre a maioria dos vereadores foi o que permite o executivo conceder 150 horas/máquina de serviços para a empresa Assessoria e Consultoria Mônica Eirelli EPP.

O trabalho será para a construção de um pavilhão de 2.800m² na RSC-453, que deve ser alugado por uma empresa tradicional do município. Em troca, o empreendimento deve permanecer na cidade por no mínimo cinco anos e gerar 30 vagas de emprego.

Rambo disse que nos seus dois mandatos nunca tinha visto um projeto como este em votação. “Em oito anos é a primeira vez que vejo um projeto desses em votação. Um auxílio para construção de algo que será alugado, enquanto muitos empreendedores queriam horas/máquinas para empresas que estão instaladas em Lajeado. Não sei como passou no conselho e foi colocado para nós. É um projeto que deveria ser arquivado”, comenta.

Neca se absteve da votação e Spohr votou contra. Conforme ele, seria uma falta de respeito com outros empresários votar a favor. “Fico constrangido em ter que votar em um projeto desse. Tenho conhecidos que tem empresas e me foi negado uma carga de material para eles. Várias empresas daqui passam dificuldades. Então seria um desrespeito eu votar a favor. Vou votar contra por uma questão de coerência”, argumenta.

Ao contrário dos argumentos de Spohr e Rambo, Ildo Salvi (PSDB) foi favorável ao projeto e respondeu ao comentário de Spohr “Eu acho estranho isso. Acredito que se você fez um pedido para empresas, com certeza tem que ser negado. Fico tranquilo em votar a favor desse projeto, e essas 150 horas/máquinas com certeza só trazem beneficio para nossa Lajeado”, justificou.

Medonho também votou a favor e disse que a proposta deve gerar emprego e renda. “É um incentivo a empresas. Temos que auxiliar todos, independente de empresa, todos devem ser atendidos. Se gera emprego e renda temos que auxiliar. No começo do ano que vem vamos fazer um projeto que auxilie a todos”, diz.

Texto: Caroline Silva

jornalismo@independente.com.br

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