Vitória de Biden terá consequências para o Brasil, principalmente na área de meio ambiente, avalia professor

Democrata na Casa Branca deverá dificultar negociações em fóruns internacionais se não for dado um sinal claro de defesa do meio ambiente por parte do Brasil.


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Foto: Rodrigo Gallas

O professor e coordenador do curso de Relações Internacionais da Univates, Thiago Borne, analisou os reflexos da vitória projetada de Joe Biden sobre Donald Trump nas eleições americanas. Enquanto alguns estados ainda contam votos, os veículos de comunicação americanos já dão como certa a vitória do democrata no Colégio Eleitoral sobre o atual presidente republicano, que ainda tenta reverter a situação ao apontar possíveis irregularidades e pedir recontagem de votos. “Não há provas, não há indícios de que a eleição tenha sido fraudada”, avalia Borne. Para ele, “é um momento de começar a pensar, de fato, nas consequências dessa transição”.


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Uma série de fatores domésticos importantes acabaram dando vitória a Biden, especialmente a economia e o impacto do coronavírus. Para o analista, a derrota de Trump indica novos ventos em relações internacionais no sentido de maior integração e relações mais amistosas nos organismos multilaterais, ante ao nacionalismo do atual presidente. Conforme ele, com Trump, o Partido Republicano é caracterizado pelo nacionalismo, protecionismo econômico e aversão a organismos internacionais. Já os democratas focam seu discurso em proteção de minorias, defesa dos direitos humanos e preocupação com meio ambiente.

Esse novo foco em política externa deve afetar o Brasil. Conforme Thiago Borne, o Brasil, com Bolsonaro, vive um processo de reordenamento de sua política externa com o abandono de tradições diplomáticas, da integração com o Mercosul e aproximação com países africanos. Por outro lado, o alinhamento era automático com os Estados Unidos de Trump, diz o professor, o que não necessariamente geraria ganhos ao país.

Com Biden, a questão ambiental e proteção da Amazônia deve ganhar mais peso. O professor da Univates aposta que uma gestão democrata na Casa Branca deverá endurecer o discurso e impor taxas, além de dificultar negociações em fóruns internacionais se não for dado um sinal claro de defesa do meio ambiente por parte do Brasil.

Sistema eleitoral americano

O sistema eleitoral americano funciona por meio do Colégio Eleitoral. Um candidato, para chegar à Casa Branca, precisa conquistar 270 de 538 delegados eleitorais. Cada estado tem um número de delegados correspondentes a sua população, e os delegados votam no Colégio Eleitoral conforme a votação popular (quem venceu no estado, leva o número de delegados daquele estado).

Para Thiago Borne, apesar de os Estados Unidos serem considerados como um exemplo de democracia, “o sistema eleitoral é bastante arcaico, uma herança do século 18”, o que, segundo ele, “acaba gerando algumas distorções”. Alguns estados ainda votam em papel, o que atrasa a contagem final. Este ano ainda tem o agravante da pandemia, o que acentuou os votos enviados pelos correios, lembra o professor.

O perfil

O coordenador de Relações Internacionais da Univates explica que Joe Biden tem ampla trajetória política, foi vice-presidente de Barack Obama em seus oito anos como presidente. Com 77 anos, o democrata será o presidente mais velho a dirigir o país. Para Thiago Borne, Biden deve adotar um tom conciliatório na presidência. O analista também lembra da vice eleita, Kamala Harris. Ela será a primeira mulher no cargo, é negra com ascendência asiática e, para o professor, representa o diálogo com as minorias.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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