Vizinhas criam alterativa para manter encontros durante a pandemia, em Lajeado

Seli, Helena e Clenir se reúnem para tomar chimarrão todas as manhãs, cada uma com sua cuia e respeitando o distanciamento recomendado.


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Há cerca de dois anos as amigas Seli Maria Ruppenthal (71), Helena de Lima Killing (69) e Clenir Terezinha Reckziegel (65), se reúnem diariamente para tomar chimarrão na casa de Seli, na Rua Cristiano Grün, no Florestal, em Lajeado. Com a chegada da pandemia na região, no final do mês de março, elas precisaram mudar um pouco o formato dos encontros, mas continuam com a mesma rotina. Antes reunidas dentro do pátio, agora as vizinhas ficam mais distantes.

Seli, que está há mais de três meses sem sair de casa, por pertencer ao grupo de risco ao coronavírus, não somente pela idade, mas também por problemas cardíacos, permanece dentro no pátio de casa. Do outro lado da grade, na calçada, Clenir senta em uma cadeira para conversar com a amiga. Já Helena, dá uma passada rápida no local todas as manhãs para bater um papo com as vizinhas.


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Clenir conta que a amizade, entre ela e Seli, surgiu antes mesmo delas saberem que eram vizinhas. “Nos conhecemos na praia, em Torres, e então descobrimos que morávamos perto. Na época ela residia na rua de trás, depois fiquei sabendo que iria morar aqui, na frente da minha casa, fiquei muito feliz”, lembra.

Cada uma com seu chimarrão particular. É assim que a roda de conversa acontece e envolve muitos assuntos. Todos os dias, sem falhar, elas se encontram por volta das 11h. “É uma amizade que a gente conversa, se diverte, faz brincadeiras, falamos de tudo, de flores e também falamos que a pandemia vai passar e que temos que nos cuidar, por isso ficamos distantes”, destaca Clenir.

Clenir Terezinha Reckziegel (e), Seli Maria Ruppenthal (c), Helena de Lima Killing (d) (Foto: Gabriela Hautrive)
Seli tem 71 anos e problemas cardíacos, pertencente ao grupo de risco, está há 3 meses sem sair de casa (Foto: Gabriela Hautrive)

Os momentos entre as amigas também servem para compartilhar boas notícias. Elas entendem que a situação que vivemos é muito difícil, então é preciso buscar alternativas. “Eu falo para elas, se acalmem, isso vai passar, vamos rir. Não adianta, temos que aceitar o que está acontecendo e temos que nos prevenir, acrescenta Clenir.

Mesmo em dias de chuva as amigas se encontram para conversar (Foto: Divulgação)

Seli, proprietária da casa onde é o ponto de encontro, diz que sente muito feliz em poder compartilhar histórias e risadas com as amigas, já que não pode sair de casa por orientação dos filhos, que se preocupam com sua saúde. Já Helena, conta que sempre dá uma passadinha para fazer parte do bate-papo. “Todos os dias fizemos a mesma rotina, cada uma com seu chimarrão, conversamos e vamos levando a semana”, relata.

Faça chuva ou faça sol, as amigas, que moram na mesma rua, não deixam de se encontrar, mas respeitam o distanciamento social. “Na segunda-feira eu vim e começou a chover, então peguei um guarda-chuva e continuei aqui. A Helena achou tão engraçado que fez uma foto, pois mesmo na chuva nós estávamos nos reunindo”, conta Clenir. Dessa forma, as três continuam preservando amizades, compartilhando bons momentos e sonhando com dias melhores, na espera de encontros mais próximo, com sorrisos sem máscaras, contato físico e abraços.

Texto: Gabriela Hautrive
producao@independente.com.br

O Grupo Independente carimba esta ação

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