Você consegue ajudar o outro a crescer? 

Para o meu colega crescer, eu não preciso necessariamente diminuir. Podemos crescer, e vencer, juntos


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Foto: Ilustrativa

No ano passado, fiz um curso on-line para aprender sobre redes sociais, especialmente o Instagram, onde mantenho meu perfil profissional e interajo com os seguidores. Na época, eu produzia alguns textos, postava, mas não tinha a menor ideia de como fazê-los chegar a mais gente. Então, casualmente, um pediatra que eu sigo há bastante tempo e admiro por seu conteúdo e maneira de se posicionar lançou um curso voltado especialmente a profissionais da área de saúde. Resolvi me inscrever e aprendi uma série de macetes que me ajudaram a disseminar minhas publicações. Mas não foram as dicas repassadas pelo Flávio (pediatra) que mais me marcaram e que motivam essa reflexão. O curso dele teve algo que não estava previsto no conteúdo e que está muito mais ligado a questões pessoais do que profissionais.

À medida que fazíamos o curso, ele se dispunha a compartilhar na sua página, na época, com mais de 200 mil seguidores, os nossos posts. Um ano depois, não por acaso, ele já beira os 550 mil seguidores – sem dancinha e sem glamour, mas estudando, se dedicando, observando e entregando informação de alta qualidade e de fácil compreensão para mães, pais e profissionais da saúde, que são seu público principal. E, para minha surpresa, ele continua compartilhando conteúdo dos ex-alunos por pura generosidade, para ajudar quem está tentando crescer na rede. Talvez quem não viva esse mundo digital possa achar que não é nada de mais, mas num espaço altamente competitivo, auxiliar um colega da mesma área que a sua a mostrar seu trabalho é, no mínimo, uma atitude que chama atenção.

A psicanalista Melanie Klein defende a teoria de que desde bebês já sentimos inveja, primeiro da mãe e depois das outras pessoas que vão compor o nosso mundo. No entanto, a depender de questões constitucionais e ambientais, podemos diminuir esse sentimento e equilibrá-lo com o amor e seus derivados, como a gratidão, essencial para a construção de boas relações, para apreciar o que há de bom nos outros e em nós mesmos.

Quando nos sentimos internamente ricos, repletos de coisas boas, temos mais capacidade de compartilhar com os outros algo de nossos dons, isso se chama generosidade. Poder ajudar o outro sem uma necessidade exagerada de reconhecimento, ver o outro crescer e se sobressair sem que isso represente uma ameaça pessoal só é possível quando trazemos sentimentos amorosos dentro de nós.

Tamara Bischoff, jornalista e psicóloga (Foto: Divulgação)

Isso me fez lembrar de uma cena que me tocou há alguns anos, quando presenciei uma mãe levando seus filhos para a escola. Os três caminhavam pela calçada. O maior correu na frente e o pequeno seguiu de mão dadas com ela. “Dá a mão pra ele”, disse a mãe ao filho mais velho. Mas o menino avisou: “Eu só quero vencer”, ao que a mãe graciosamente sugeriu: “Dá a mão pra ele, vocês podem vencer juntos”.

Para o meu colega crescer, eu não preciso necessariamente diminuir. Podemos crescer, e vencer, juntos!

Texto por Tamara Bischoff

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