Você sabe reconhecer seus limites e procurar ajuda?

A jornalista e psicóloga Tamara Bischoff analisa o comportamento de Gabriel Medina. Ele anunciou que deixará de competir no Circuito Mundial de Surfe para cuidar da sua saúde mental


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Tamara Bischoff, jornalista e psicóloga (Foto: Rodrigo Gallas)

Parar um projeto importante em sua vida para cuidar da saúde. Quanta gente já fez isso, especialmente quando se trata de algo mais delicado, como um acidente, uma cirurgia complexa ou uma doença grave. Nesses casos, a decisão nem costuma ser difícil, porque não existe muita escolha, é parar ou parar. Mas quando se trata de cuidar da saúde mental? Bem, daí a coisa toma uma proporção maior e acaba virando notícia.

Depois da ginasta americana Simone Biles ter chocado o mundo ao abandonar as finais das Olimpíadas de Tóquio por não se sentir bem psicologicamente, nessa semana que passou, o surfista brasileiro Gabriel Medina anunciou que deixará de competir no Circuito Mundial de Surfe para cuidar da sua saúde mental. Uma série de ocorrências difíceis na vida do atleta parecem ter contribuído para a decisão, extremamente difícil, segundo ele. Medina disse que se questionou muito a respeito de expor ou não tal questão, mas por fim resolveu falar, porque considera a saúde mental tão importante quanto a física.

Tá certo ele. Hoje, nem costumamos mais separar uma da outra, porque ambas andam coladas que é inútil tentar desgrudar. Como dar conta do trabalho, de uma atividade que exige concentração, dedicação, superação quando sua mente não está legal? Os atletas de alto rendimento costumam ser treinados para isso desde cedo e, na maior parte dos casos, é a parte psíquica que os diferencia.

Lidar com pressão, ritmo intenso de treinos, abrir mão de muitas coisas da vida, manter o foco numa competição importante. Conseguir tudo isso é uma tarefa sobre-humana, e o treinamento nem sempre se mostra suficiente. Se tem algo na raiz incomodando, uma hora isso aparece, porque nem tudo é lógico, consciente e controlável. Algumas coisas que nos compõem assustam, paralisam e às vezes enlouquecem.

No fim das contas, somos todos iguais quando se trata dessas questões mais profundas. Perdemos oportunidades, estragamos relacionamentos, repetimos os mesmos erros e sofremos. O que pode fazer diferença na sua vida é olhar para isso antes de chegar ao seu limite. Reconhecer que você não é e nem precisa ser sempre um super-herói. Assim, você tem alguma chance de encarar a onda e aprender a surfá-la antes que ela passe. E também, saber interpretar quando ela não é pra você, porque nem todas serão.

Texto por Tamara Bischoff, jornalista e psicóloga 

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