Em recuperação, volume de exportações do setor calçadista cresce, mas ainda não chega aos níveis pré-pandemia

“Para chegar lá, o setor teria que crescer 9%. Estamos em 2%”, conta o presidente do sindicato calçadista de Teutônia, Roberto Müller


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Foto: Agência Brasil

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Calçadistas de Teutônia (Siticalte), Roberto Müller, traçou um panorama do setor neste começo de ano e comparou com o cenário pré-pandemia em entrevista ao Troca de Ideias desta terça-feira (22). Conforme ele, “nós ainda não atingimos o valor pré-pandemia”. Para chegar lá, o setor teria que crescer 9%. “Estamos em 2%”, conta.

No primeiro bimestre de 2022, o setor calçadista acumula a exportação de 27,57 milhões de pares por US$ 209,23 milhões, incrementos em volume (+40%) e em dólares (+70,8%), conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) reunidos por Roberto Müller.

Em 2021 foram registraram o embarque de 123,6 milhões de pares, que geraram US$ 900,3 milhões. Os resultados são superiores tanto em volume (+32%) quanto em valores (+36,8%) em relação a 2020. Na comparação com 2019, os dados são 7,4% inferiores em divisas e 7,3% superiores em volume embarcado. O representante diz que os dados atuais são bons, porém, se olharmos para 2019, “ainda não estamos naquele patamar”.

Müller lembra que, no auge do setor, cerca de 95% dos calçados produzidos eram para exportação. “O mercado interno era mínimo”, recorda. A dinâmica se inverteu, e as exportações caíram a 5%, com o ramo dependendo exclusivamente do mercado interno. Hoje, em ritmo de recuperação, as exportações representam 14% da produção.

“O mercado interno é muito importante para nós”, reconhece. “Se a gente conseguir recuperar e ter fidelidade maior, é muito importante”, pontua. Porém, ele reconhece que no aperto financeiro, entre comprar comida e sapato, o consumidor acaba tendo que escolher o primeiro. Por isso expõe a importância de o mercado externo recuperar espaço para desafogar e dar estabilidade às empresas, “já que o mercado interno oscila muito”.

Entre 2019 e 2022, muito empregado saiu do calçado e foi para outros setores, como as indústrias frigoríficas e da alimentação, por causa do salário, admite o presidente do Siticalte. Por outro lado, as empresas ficaram muito dependentes da China, e na pandemia faltaram insumos. “O mundo se deu conta de que não pode ficar dependente”, ressalta.

Na visão do sindicalista, o setor é o primeiro a empregar quando a economia reage e o primeiro a iniciar com as demissões quando a crise aperta. Uma das alternativas que os empresários estudam é apostar no vestuário para reduzir importações da China e dos países asiáticos e passar a fabricar aqui, para preencher as lacunas que o calçado deixa.

Müller destaca a importância que a indústria calçadista têm para a empregabilidade, principalmente para as mulheres: 70% da mão de obra é feminina.

Texto: Tiago Silva
web@independente.com.br

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