Voluntária da Cruz Vermelha abraça imigrante em Ceuta, foto viraliza, e ela sofre ataques em redes sociais

Senegalês é um dos cerca de 8 mil imigrantes que deixaram Marrocos e chegaram à cidade autônoma espanhola no norte da África pelo mar. 'Ele estava chorando. Eu estendi minha mão e ele me abraçou", contou voluntária


0
A voluntária da Cruz Vermelha espanhola, Luna Reyes, de 20 anos, reclassificou como "privadas" suas redes sociais depois de ser alvo de uma corrente de abusos e mensagens agressivas online vindas de partidários do partido de extrema direita Vox da Espanha. (Foto: Reprodução / Twitter / @CruzRojaEsp)

A imagem de uma voluntária da Cruz Vermelha abraçando um imigrante senegalês que chegou pelo mar ao enclave de Ceuta, cidade autônoma espanhola no norte da África, viralizou na internet da Espanha (veja vídeo acima). A mulher, que aparece dando conforto ao imigrante, foi identificada como Luna Reys e virou alvo de ataques na internet.

O imigrante é mais uma das cerca de 8.000 pessoas saíram do Marrocos e chegaram ao enclave da Espanha nos últimos dias. Os dois países vivem uma crise diplomática. Autoridades marroquinas estariam permitindo que migrantes cruzem a fronteira após Espanha acolher, para tratamento em um hospital, o inimigo político do Marrocos Brahim Gali.

Luna Reys deu uma entrevista a uma rede de TV espanhola, na qual contou que não sabia o nome do homem, mas só sua nacionalidade.

“Ele estava chorando. Eu estendi minha mão e ele me abraçou”, ela disse.

Enquanto a voluntária atendia o imigrante, soldados espanhóis agarravam outras pessoas que tinham acabado de chegar ao território pelo mar e as levavam para fora, para o Marrocos.

Segundo Luna, o imigrante que a abraçou considerava que ela era a sua chance de vida.

Depois que a imagem se tornou famosa, a voluntária começou a receber mensagens machistas e racistas e decidiu proteger seus perfis nas redes sociais.

“Viram que o meu namorado é negro e não pararam de me insultar e dizer coisas terríveis e racistas”, contou.

No entanto, outros usuários resolveram agradecer a ela e subiram a hashtag #GraciasLuna (obrigado Luna).

Forças de segurança mandam imigrantes de volta ao Marrocos
Soldados da Espanha levaram mais de metade dos imigrantes de volta à cidade marroquina que fica perto de Ceuta, Fnideq. Agora, Fnideq tem dificuldades para gerenciar a multidão de pessoas desassistidas na rua, no meio da pandemia do coronavírus.

Há concentrações de pessoas nos parques, bancos públicos e do lado de fora das mesquitas. Voluntários distribuem comida.

A maioria deles é do Marrocos, mas há pessoas de outros países.

Governo do Marrocos facilitou entrada de imigrantes

O governo do Marrocos geralmente emprega soldados perto de Ceuta para evitar que muitos imigrantes tentem atravessar. No entanto, nos últimos dias, as forças marroquinas estavam menos presentes.

Nos últimos dias, houve rumores entre os marroquinos de desentendimentos diplomáticos entre o país e a Espanha.

O governo espanhol deu tratamento médico ao guerrilheiro Brahim Gali, do Saara Ocidental, uma área que é disputada pelo Marrocos. O governo marroquino considera Gali um terrorista.

Em retaliação, o Marrocos, que geralmente ajuda a evitar um grande fluxo de imigrantes para Ceuta, teria permitido que eles cruzassem a fronteira.

Fonte: G1

DEIXE UMA RESPOSTA

Digite seu comentário!
Por favor, coloque o seu nome aqui