Após protesto, Eurovias paga salários de dezembro aos trabalhadores das obras da BR-386; vale-alimentação e horas extras seguem em atraso

Em outra reclamação, equipe de vigilantes demitida em novembro ainda não recebeu valor de rescisões e cobra por seus direitos


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Foto: Arquivo / Grupo Independente

Nesta terça-feira (9), cerca de 160 trabalhadores da duplicação da BR-386, no trecho entre Lajeado e Marques de Souza, paralisaram os trabalhos devido aos salários, vale-alimentação e horas extras estarem em atraso. Os trabalhadores realizaram contato com a reportagem da Rádio Independente registrando os casos. Horas após os protestos, a empresa Eurovias, contratada pela CCR ViaSul para os trabalhos na BR-386, efetuou o pagamento dos salários equivalentes ao mês de dezembro de 2023. Porém, segundo os trabalhadores, os valores de vale-alimentação e horas extras seguem em atraso e ainda não foram pagos.


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Os trabalhos de construção de terceira pista ou duplicação que ocorre na BR-386 entre Estrela e Marques de Souza têm como responsável a empresa Eurovias, contratada pela CCR ViaSul. Entre os trabalhadores, estão gaúchos e muitos de outros estados do Brasil, principalmente do nordeste. Alguns bolivianos também estão trabalhando nas obras na BR-386.

Em conversa com a emissora, os funcionários — com medo de retaliações — pediram para não serem identificados, mas fizeram relatos de como está a atual situação. Um funcionário revela ter sido pago o salário do último mês de 2023 e ainda ter valores pendentes. “Foi pago o salário de dezembro, mas o vale-alimentação e as horas extras, nada foi pago”, conta ele.

Outro trabalhador realizou uma denuncia de desvios de função de alguns funcionários e que os trabalhadores estão recebendo alimentação requentada. “A administração da Eurovias entra em contato com um funcionário por volta das 17h para ir até o escritório de Lajeado buscar marmitas que sobraram do meio-dia e levar para o pessoal que está cuidando das máquinas. Mas os trabalhadores são bandeirinhas, pedreiros, serventes, apontador, carpinteiros, mas esse pessoal não exerce esse tipo de trabalho. Isso é desvio de função”, opina.

Equipe terceirizada reclama de valores em atraso

Outra situação que foi relata para a reportagem da Rádio Independente é que a equipe de vigias que trabalhava para a empresa terceirizada Sentinela, contratada pela Eurovias para realizar a vigilância das máquinas e equipamentos ao longo dos trechos em obras, foi desligada em novembro de 2023 e nenhum acerto ocorreu até agora com os 22 funcionários.

O funcionário Régis de Almeida relatou que não receberam nenhum aviso antes do desligamento. “Simplesmente fomos demitidos sem aviso prévio e sem nenhum acerto até o momento. Simplesmente, os funcionários foram desligados da empresa e não foi dada nenhuma satisfação até agora. Não foi feito o acerto de salários e nem rescisões”, conta ele.

“A Eurovias deve para a empresa Sentinela, eu até mantive contatos democráticos até véspera do Natal, mas depois só responderam que tudo seria com o financeiro”, conta ele.

Outro funcionário da vigilância, que preferiu não se identificar, revelou informações sobre a demissão da equipe de 22 funcionários. “No dia 1º de novembro, nos demitiram e não nos passaram informações. Estamos sem respostas. Não recebemos nossos direitos e precisamos de respostas”, comenta ele.

Resposta da CCR ViaSul

A reportagem realizou contato com a empresa CCR ViaSul, dona das obras da BR-386, que emitiu resposta afirmando estar em dia com todos os seus repasses para com as empresas contratadas. “A CCR ViaSul enfatiza que todas as obrigações perante a empresa contratada estão em dia e que não existem quaisquer pendências”, cita a nota da empresa.

Texto: Marcelo Cardoso
jornalismo@independente.com.br

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