Clima e problemas econômicos no Vale do Taquari, que é responsável por 21% da produção estadual, puxam queda nas exportações de frango

Muitas empresas foram afetadas pelas enchentes que ocorreram nos meses de setembro e novembro, mas mesmo assim, estado segue na terceira posição entre os exportadores do país. Para 2024, setor prevê um cenário mais favorável


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Foto: Divulgação

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apresentou balanço sobre a exportação de carne de frango e derivados no Brasil. O país enviou 5,13 milhões de toneladas em 2023, o que representa uma alta de 6,6% sobre os 4,822 milhões de 2022. Na contramão destes dados figura o Rio Grande do Sul, o único estado a registrar queda. As indústrias gaúchas enviaram 739 mil toneladas e fecharam os 12 meses com recuo de 2,13% em comparação com 2022. Estes números colocaram os gaúchos na terceira posição entre exportadores.

O Vale do Taquari, que responde por 21% da produção avícola do Estado, foi fortemente afetado pelas enchentes que ocorreram nos meses de setembro e novembro. Estas cheias e a instabilidade econômica ajudaram a puxar este recuo na produção.

A nível de Brasil, o maior exportador de carne de frango é o Paraná, que embarcou 2,087 milhões de toneladas ao longo de 2023, número que supera em 9,69% o total exportado no ano anterior. Em seguida estão Santa Catarina, com 1,103 milhão de toneladas, o que representa uma alta de 8,48%; Rio Grande do Sul, com 739 mil toneladas, com o recuo de 2,13%; São Paulo, com 292,6 mil toneladas, uma alta de 6,32%; e Goiás, com 236,8 mil toneladas, um aumento de 21,3%. Na sequência estão Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso, Distrito Federal e Espírito Santo.

Presidente-executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul, José Eduardo dos Santos (Foto: Divulgação)

O presidente-executivo da Organização Avícola do Rio Grande do Sul, das entidades membros, como a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Rio Grande do Sul, José Eduardo dos Santos, conversou com a reportagem da Rádio Independente e explicou o que motivou esta queda. Além disso, ele falou sobre as perspectivas para 2024.

Rádio Independente – Quais foram os fatores que provocaram este recuo do Rio Grande do Sul nas exportações de 2023? De que forma o Vale do Taquari interferiu nisso?

Presidente-executivo José Eduardo dos Santos – Temos no Vale do Taquari algumas empresas exportadoras na área da avicultura, como Minuano, BRF, Dália Alimentos e Languiru, esta que diminuiu, mas manteve a sua participação nas exportações. O setor fechou o ano com uma queda de 2,13% e isso não estava nas nossas previsões, pelo contrário, nós vínhamos numa crescente até junho, julho e agosto, mas depois disso, com os efeitos climáticos que tivemos na região do Vale do Taquari e problemas econômicos em algumas empresas do setor, acabamos reduzindo o nosso volume previsto. As indústrias, com cautela, em detrimento dos custos elevados e pela instabilidade econômica, diminuíram por conta própria a sua produção e tudo isso refletiu nesse resultado. O faturamento caiu na ordem dos 3.9%, de R$ 1.5 bilhão em 2022 para R$ 1.4 bilhão em 2023. Havia previsão de crescer em média 3%, mas apesar da queda mantemos a nossa posição como o terceiro maior exportador do Brasil.

Rádio Independente – Quais são as perspectivas para 2024?

Presidente-executivo – Acredito que em 2024 a gente possa recuperar os volumes que nós deixamos de exportar. Estamos fazendo um trabalho de prospecção de mercados por parte da nossa federação, que é a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Além disso, o setor vai ter que se adequar cada vez mais às situações que vivemos aqui, mas o setor é altamente produtivo com mão de obra qualificada, aparato industrial moderno, com sistema de produção rígido e principalmente controle sanitário no Rio Grande do Sul, que comprovaram a eficácia quando tivemos a entrada da Influenza Aviária. Nós tivemos dois casos em aves silvestres no Estado, mas as ações do Governo e das entidades conseguiram restringir estes casos, não afetando a avicultura industrial.

Temos um ano desafiador, onde temos que buscar a estabilidade econômica no país. O setor vai continuar prospectando mercados, vamos tentar o diálogo com o governo do Estado para manter os incentivos fiscais, pois nós dependemos deles para nos mantermos na linha da competição. Tudo isso vai definir o rumo do setor avícola. Mas, o mundo precisa cada vez mais de alimentos. A gente têm as adversidades, as crises no exterior, no Oriente Médio e a Guerra entre Rússia e Ucrânia, por exemplo, que nos preocupam, mas o mundo não deixa de comer.

Texto: Elisangela Favaretto
vitrinedenegocios@independente.com.br

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