Delegada Márcia Scherer deixa polícia após 20 anos; reforma na previdência é um dos motivos

Profissional se aposenta no final do ano e se dedicará a atividades comunitárias, palestras e qualificação na área de gestão pública.


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Após 20 anos atuando na Polícia Civil, a titular da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento de Lajeado (DPPA), Márcia Scherer, deixará o cargo até o final do ano. A profissional encaminha sua aposentadoria e se afastará da área policial. Um dos fatores pela decisão são os reflexos na reforma da previdência, que, segundo ela, geram insegurança.

Márcia também entende que chegou a hora de encerrar um ciclo e seguir com novos projetos. Seu tempo, a partir de agora, será dedicado para atividades comunitárias, atendimentos a solicitações para realização de palestras e estudos. “Me qualificar cada vez mais na área de gestão pública. Eu gosto muito e quero estar a disposição da comunidade para realizar grandes trabalhos”, destaca.

A delegada diz que o trabalho seguirá com a mesma intensidade, o que muda é a programação, que será mais organizada pelo fato de ter mais tempo livre. “Com certeza muitos desafios e coisas boas estão vindo pela frente.” A profissional também agradeceu a todos que tiveram com ela ao longo de sua trajetória.

“Atuei em praticamente todas as delegacias da região, desde Taquari, onde também fui delegada titular, até Arroio do Meio e Estrela. Só não atuei em Encantado e Teutônia, que são grandes delegacias, mas em períodos de férias também estive nesses locais. Agradeço aos agentes e colegas que sempre nos deram muito suporte, não é uma atividade fácil, a gente precisa muito do trabalho em equipe”, avalia Márcia Scherer.

Trajetória na Polícia Civil

As atividades de Márcia Scherer na Polícia Civil sempre foram dentro de delegacias, com serviços voltados a atendimentos, investigações e um pouco em setores administrativos. “Eu acumulo também, dentro dessa minha aposentaria, minha atuação como servidora na prefeitura de Arroio do Meio, como concursada, um curto período como advogada e também professora. Meu primeiro emprego foi como professora no presídio em Arroio do Meio”, conta a profissional.

O fato mais marcante em 20 anos de polícia

Muitos casos marcaram a trajetória da delegada Márcia Scherer durante seus 20 anos na polícia, porém, alguns ganharam um destaque maior. Um deles foi a prisão do advogado Rogério Nonnenmacher. “Um senhor muito conhecido e se tinha a muito tempo o histórico dele como sendo autor de crimes contra sua família, de abuso sexual e esse foi um caso dos mais emblemáticos porque não se acreditava que um dia ele poderia ser preso”, relata.

Outra situação citada pela delegada foi a de um pai que engravidou suas três filhas e recebeu uma pena de mais de 50 anos de prisão. “Acredito que nossa colaboração na área da atividade policial foi chamar atenção para determinados fatos que antes não tinham tanta repercussão. Trazer para comunidade crimes que aconteciam também no ambiente doméstico, com crianças e adolescentes.”

Outros casos envolvem ações de combate ao tráfico e investigação de homicídios. “Me recordo de uma situação de homicídio de uma moça em Estela, onde, durante o carnaval, conseguimos trabalhar e elucidar o crime que foi praticado, por um até então, amigo da vítima. Resolvemos o caso em três dias e isso foi muito gratificante”, conta.

A decisão pela aposentadoria

A delegada fala em encerrar um ciclo, quando remete a decisão por se afastar da Polícia Civil. “Nesse mês de outubro, a nossa turma de delegados está completando 20 anos de polícia e uma grande maioria da nossa turma está buscando se aposentar.” Nesse grupo fazem parte os servidores que completaram, ao todo, mais de 30 anos de serviço, ou 25, no caso das mulheres, envolvendo atividades fora da polícia.

As pessoas que atuam na Policia Civil (delegados e agentes) possuem aposentarias com prerrogativas, semelhantes a dos professores do magistério. Isso acontece, segundo Márcia Scherer, pelo risco de vida, trabalho insalubre e outras características de virar a noite trabalhando, exaustão e cansaço. “Mas claro, tudo isso, quando se ama a profissão, é compensatório”, declara.

Desde 2015, a delegada já possui tempo suficiente de serviço para se aposentar (com as regras atuais), mas decidiu atuar um pouco mais, por entender que ainda tinha como contribuir com a comunidade. Entretanto, o atual cenário, segundo ela, é de bastante turbulência e insegurança em relação a previdência, tanto pública como privada. “A lei que está em votação não garante, aos que já completaram todos os requisitos para se aposentarem nesse período, a garantia de sua aposentadoria conforme condições atuais. Gera muita insegurança e não sabemos se os direitos serão respeitados”, explica.

Texto: Gabriela Hautrive / produção@independente.com.br


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