“Se juntar 10 cavalos mortos não é o cheiro de um ser humano em decomposição”, afirma funeral influencer

Nina Maluf relata dificuldades da profissão e importância de proporcionar à família possibilidade de se despedir do ente querido


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Nina Maluf (Foto: redes sociais/reprodução)

A maquiagem de mortos e a restauração facial é necessária para neutralizar a aparência dos cadáveres e permitir que a família se despeça de forma mais adequada dos entes queridos. Alguns profissionais de destaque chegam a ministrar qualificações para os interessados em ingressar na área de serviço funeral. A funeral influencer e maquiadora de mortos, Carolina Maluf, é uma delas. Ao conceder entrevista ao programa Panorama desta sexta-feira (26), relatou as dificuldades e curiosidades da profissão.

Nina Maluf, como é conhecida, lembrou que junto com seu marido, trabalhava com perícia técnica e foram os primeiros peritos do Brasil a ingressarem no serviço funerário. Como o trabalho ficou conhecido no exterior, um amigo da Alemanha que também atua com limpeza de locais de crimes atribuiu o título de funeral influencer a ela. Hoje é tão conhecida na área, que ministra cursos para quem se interessa em ingressar no ramo funerário.

Como dificuldade, citou o cheiro dos corpos. “O cheiro da morte é muito característico”, considerou. Nina Maluf explicou que consegue se habituar com o odor, mas é um dos principais problemas do serviço. “Se você juntar 10 cavalos mortos não é o cheiro de um ser humano em decomposição”, relatou.

Um dos trabalhos corriqueiros é a reconstrução facial de quem morre de forma trágica, como acidentes de trânsito. “Não tem coisa pior do que você velar uma pessoa que você ama de caixão fechado”, considerou a profissional. Ela citou que é gratificante proporcionar à família um momento para se despedir de forma adequada. Um dos trabalhos mais demorados superou oito horas de serviço, para reconstituir o cranio de uma mulher que, ao tentar resgatar o filho em um acidente de trânsito, foi atingida pelo carro envolvido que caiu sobre sua cabeça.

Foto: redes sociais/divulgação

Uma das peculiaridades dos cursos que ministra é que 70% dos alunos são mulheres. O perfil das pessoas que procuram a qualificação é de curiosos, de quem teve uma perda e quer entender o que aconteceu com o ente querido e de quem realmente quer atuar no segmento funerário. A funeral influencer ainda atua em congressos, onde fala sobre tanatopraxia (conservação temporária do cadáver) e tanatopet (conservação temporária de animais). Este último método está em processo de registro, já que foi criado pelo avô que era técnico de anatomia na USP.

Com relação a algum preconceito que sua profissão ainda gera, falou que recebe de maneira natural. Lembrou que no início, o problema era com familiares que não queriam que ela ingressasse nesta área. No entanto, hoje há muito mais curiosidade do que objeção com seu trabalho.

Texto: Gilson Lussani
web@independente.com.br

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